Interdição em nome da vida

O País é assolado por um surto e o presidente e o dito herói se engalfinham numa renhida e mesquinha luta por poder político

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O Brasil será o país com o maior número de mortes pela pandemia do coronavírus, graças a seus passivos estruturais e a quem está à frente da Presidência da República. Mais de 100 milhões de brasileiros vivem com R$ 415. As condições de vida dessas pessoas não lhes permitem investir suficientemente em proteção para evitar o contágio, a começar por cumprir o isolamento social. Já o governo retarda o pagamento da renda básica de gente que divide pouco mais de 30m² com mais oito pessoas. A maior parte das mortes registradas em consequência da COVD-19 são de moradores das periferias, historicamente mantidas assim como manancial de mão de obra barata.

Por sua vez, o presidente do Brasil age como um genocida. A despeito de o País já ultrapassar os EUA em número de mortes, o ego de Bolsonaro é importante demais para ele dar atenção à uma questãozinha de uma gripezinha. Em ato inominável, diante da calamidade mundial, Bolsonaro expressa todo seu desprezo pelo próximo e pela democracia. Mais uma vez, ele foi a público atacar o Judiciário, o Legislativo. No mesmo sentido, ao invés de enfrentar o coronavírus à altura da sua letalidade, se lança em cruzadas contra desafetos políticos, enganando seus seguidores, mais uma vez, incitando-os a atacarem os inimigos criados pelo mito. Os governadores estão com extrema dificuldade para enterrar corpos e o presidente do País tenta defender seu prestígio político esfregando-o em uma grande e fétida poça de lama. Quanto mais se move, mais afunda nela. Não fossem eles, a população estaria em muito pior condição. Do ministro da Saúde, não se tem notícias, a não ser a de que ele disse que é preciso ficar em casa, pois não se sabe o que fazer.

Bolsonaro é acostumado a criar crises e delas se safar, com uma extrema competência para evasividade. Ele já fez duras acusações contra as instituições, sem apresentar provas, que foram convenientemente esquecidas por certa imprensa e pelas próprias instituições cujas manifestações não foram contundentes o suficiente para Bolsonaro se conscientizar do seu papel de presidente de 210 milhões de brasileiros. Porém, desta vez, há uma crise cujos corpos denunciarão as políticas de omissão e negligência do seu governo. O seu mais novo desafeto político, tão inescrupuloso quanto ele, Sérgio Moro, é a menina dos olhos do mercado financeiro e povoa o imaginário de parte da sociedade como um herói. Devido a seus egoístas projetos políticos, em meio à pandemia, se prestam a se denunciarem de crimes que um cometeu e o outro acobertou, por mais de um ano.

Essa é a realidade do Brasil. O País é assolado por um surto e o presidente e o dito herói se engalfinham numa renhida e mesquinha luta por poder político. A bem do máximo de vidas que ainda se consiga poupar, Bolsonaro deve ser afastado da Presidência. Não é possível esperar mais para saber o que todos já sabem o que acontecerá. Depois, será muita hipocrisia lamentar pelas vidas ceifadas devido à falta de coragem da sociedade de impedir a irresponsabilidade que Bolsonaro pratica diariamente, como se tivesse essa autoridade, quando não a tem. Um presidente não está acima da Lei e, muito menos, da vida. Não resta dúvidas de que Bolsonaro é um ególatra inconsequente e sem condições de mudanças. O Brasil não pode ser menor que a desqualificação do presidente. Interdição já, pois Bolsonaro coloca a nação em risco.

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