Israel elege a direita, mas libera maconha

"Trata-se de uma planta, como outra qualquer. Não é uma droga, porque não é manipulada em laboratório. E seus usos são múltiplos, desde fumar para relaxar até como matéria-prima de uma infinidade de remédios e cosméticos, além de inúmeros produtos a partir do cânhamo, como roupas e velas de barcos", diz o jornalista Alex Solnik, sobre a decisão do parlamento israelense sobre a liberação do "uso adulto" da maconha; "Já que Bolsonaro gosta tanto de Israel, podia copiar as coisas boas de lá", diz Solnik

Israel elege a direita, mas libera maconha
Israel elege a direita, mas libera maconha
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Alex Solnik, Jornalistas pela Democracia - No mesmo dia em que o direitista e xenófobo Bibi Netanyahu foi reeleito para o seu quinto mandato de primeiro-ministro, com suas pautas estúpidas, belicosas e ofensivas à dignidade humana, o Congresso israelense aprovou a liberação total do plantio e uso – para qualquer fim – da maconha. Que é uma pauta progressista, de esquerda.

E sem aquelas frescuras do Uruguai, que exige cadastramento e restringe quantidades.

Em Israel, não: não tem que se identificar e pode comprar quanto quiser. Nas palavras das autoridades locais, está liberado o "uso adulto".

Comprar em farmácias, com receita, já era liberado para doenças terminais desde os anos 90; agora vale qualquer receita médica, sem especificar a doença.

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

Plantar em casa passou a ser permitido, também sem restrições. E também a venda comercial. Já há mais de 400 fazendas aptas a produzir. Um ex-primeiro-ministro é o dono da maior empresa do ramo.

Trata-se de uma planta, como outra qualquer. Não é uma droga, porque não é manipulada em laboratório. E seus usos são múltiplos, desde fumar para relaxar até como matéria-prima de uma infinidade de remédios e cosméticos, além de inúmeros produtos a partir do cânhamo, como roupas e velas de barcos.

A maioria dos homicídios no Brasil ocorre em consequência de repressão ao tráfico ou guerra entre quadrilhas que traficam maconha. A maioria dos presos no sistema carcerário brasileiro é de pequenos traficantes ou usuários sem advogado.

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

Uma planta muito valiosa, que poderia, comercializada, fazer a diferença em nossa balança comercial e ainda diminuir o banho de sangue provocado pela "guerra das drogas", foi transformada, no Brasil, em vilã, como se tivesse culpa de alguma coisa e entregue docemente a bandidos de alto saldo bancário, que determinam seu uso, seu preço e a comercializam segundo suas próprias leis e sem contribuir com um tostão para o tesouro nacional.

Já que Bolsonaro gosta tanto de Israel, podia copiar as coisas boas de lá.

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247