Jair Messias e o efeito Lula

"Até milagres têm limites: conseguir que Jair Messias acorde sem a boçalidade de sempre, e assuma de verdade o governo do país onde morrem mais vítimas da covid a cada dia, bem, aí seria pedir demais", escreve o jornalista Eric Nepomuceno

Lula e Bolsonaro
Lula e Bolsonaro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Ricardo Stuckert)
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Por Eric Nepomuceno, para o Jornalistas pela Democracia

Pois é: depois que Lula tornou a entrar em campo em plena forma, Jair Messias começou a dar algumas parcas mostras de mudança.

Passou, por exemplo, a usar máscara. Desandou a defender a vacinação, mencionando até mesmo a chinesa do Dória, aquela que injeta um chip comunista em quem leva a agulhada.  

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E, com um ano e pelo menos 300 mortes de atraso, criou, vejam vocês, um comitê federal para coordenar o combate ao vírus da gripezinha.  

É só outro retrato da tragédia que se abateu sobre este pobre país.

Por uma questão de honestidade elementar, reconheço que são várias as características autênticas em Jair Messias.  

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Quem tomou noção de sua existência em seus tempos nebulosos de deputado federal sabe quais são essas características: a estupidez, o desequilíbrio, a homofobia, o seu poderoso lado misógino, a boçalidade, o racismo, a suprema ignorância, sua asquerosa defesa da tortura e da ditadura, sua peculiaríssima relação com o dinheiro público (alguém esquece que ele, dono de imóvel em Brasília, usava a verba de auxílio domiciliar para, em suas próprias palavras, “comer gente”?), a capacidade olímpica de mentir compulsoriamente.  

Instalado na presidência, quando a pandemia chegou ele revelou rapidamente outra característica, esta sim, letal: ser um exemplar impecável de Genocida.

Tirando essas únicas autenticidades, tudo, absolutamente tudo em Jair Messias é falso, de uma falsidade indisfarçável.  

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Ele diz, por exemplo, que o novo ocupante da poltrona de ministro da Saúde irá agir de acordo com os ditames da ciência.  

Bem: a primeira coisa feita no mesmo dia em que o médico Marcelo Queiroga assumiu foi mudar a forma de registrar mortes por covid.  

O resultado – ainda bem que a medida foi desfeita no dia seguinte – seria uma diminuição completamente falsa do número de vítimas fatais.

Jair Messias instala o tal comitê federal e convida meia dúzia de governadores, todos seus aliados com maior ou menor ênfase. Prefeitos? Nem pensar. E, claro, nenhum governador que determinou medidas mínimas – e insuficientes – de isolamento. E ainda assim consegue criar um clima de divergências insolúveis.

Continuou, na tal reunião, a defender o ridículo “tratamento precoce”, que agora virou “preventivo”, com o uso de medicamentos que além de inócuos para a covid, causam danos colaterais seríssimos. Chocou de frente com o que acham não só os tais governadores aliados especialmente convidados, mas também os presidentes da Câmara e do Senado.

Resultado: Jair Messias já não será o comandante do tal comitê federal. Assumiu o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Assim se confirma que o efeito Lula sobre Jair Messias é capaz de milagres, como fazer com que o mandatário use máscara e convoque uma comissão capenga.  

Mas que até milagres têm limites: conseguir que Jair Messias acorde sem a boçalidade de sempre, e assuma de verdade o governo do país onde morrem mais vítimas da covid a cada dia, bem, aí seria pedir demais.   

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