Jornal Nacional infla bola de Lula

"O antipetismo, pois, não desabou somente nos números, mas, também, na mídia", escreve Eduardo Guimarães

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Jornal Nacional e Lula (Foto: Reprodução/TV Globo | Ricardo Stuckert)


Por Eduardo Guimarães 

O mínimo que se pode dizer sobre a edição do Jornal Nacional da última quinta-feira, 21 de julho, é que foi altamente positiva para Lula e o PT por enfatizar que a Justiça decidiu que o ex-presidente poderá disputar a eleição presidencial por não ter tido um "julgamento justo". 

Em um país tão despolitizado que, em 2016, 33% dos brasileiros não sabiam o nome do presidente da República -- conforme pesquisa Datafolha de 17 de julho daquele ano --, fatos políticos de grande importância precisam ser repetidos à exaustão.  

Nesse aspecto, a matéria do JN divulgou, de forma  bastante positiva, a absolvição tácita de Lula (e não adianta espernearem) pelo STF. Assim, a edição do Jornal Nacional em tela foi primordial para reduzir ainda mais o antipetismo, que, segundo pesquisa Quaest recém-divulgada, caiu para o nível mais baixo deste  século.   

Segundo matéria da revista  Veja baseada no estudo da Quaest, o ódio ao PT estava presente em 37% do eleitorado em 2002, caiu para 32% em 2006 e 2010, subiu para 34% em 2014, explodiu em 2018 – sendo sentido por 51% do eleitorado – e, hoje, em pleno 2022, está em 30% dos eleitores. 

Confira a locução do JN sobre a razão pela qual Lula poderá disputar a eleição deste ano após ter sido condenado e preso: "O  STF também considerou que Lula não teve direito a um julgamento justo porque o juiz Sergio Moro foi parcial na condução do processo". 

Se alguém achar pouco, vale lembrar que, algum tempo atrás, o JN debitava a anulação dos processos e condenações de Lula a meras "questões técnicas" e não a fraude processual de Sergio Moro.  

Em seguida, Gleisi Hoffmann é apresentada como defensora da democracia em um discurso em que criticou a violência assassina dos bolsonaristas e as ameaças deles e de  Bolsonaro ao processo eleitoral. E deu a palavra à presidente do PT para condenar as agressões bolsonaristas. 

O antipetismo, pois, não desabou somente nos números, mas, também, na mídia. Sobretudo na Globo, que, como o resto da nação, conta com a vitória de Lula para escapar das ameaças reiteradas que Bolsonaro vem lhe fazendo.  

Ironia poética... 

A volta por cima de Lula e do PT são um sinal eloquente de que a nossa democracia, apesar dos pesares, pode trilhar o caminho da consolidação se vingar a luta para tirar os fascistas do poder, pois, dia após dia, vai caindo a ficha do povo sobre quem é quem na política brasileira.

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