Judeus contra Bolsonaro

Nós chamamos a todas as minorias a cerrarem fileiras contra este candidato e a todos os Brasileiros a se unirem a nós contra o que ele representa. O Brasil precisa de amor, de educação e de justiça social. Esta é a mensagem de paz

Quando criei este grupo no Facebook a menos de uma semana, imaginei que na melhor das hipóteses ele poderia chegar a uns 200 membros. Para minha grata surpresa estão entrando cerca de 1000 judeus e judias ao dia já passando hoje dos 6100 membros, quando escrevo este texto. Nosso abaixo assinado com o mesmo nome já chegava a 3000 assinaturas em 24 horas.

Claro que a inspiração veio de grupos similares como o das Mulheres contra Bolsonaro e outros já existentes que se somam aos que foram criados nos últimos dias. Todos com o mesmo objetivo, mostrar que as minorias atacadas pelo preconceito do candidato não se deixam intimidar.

Quando criamos um grupo desta natureza, recebemos todos que se colocam ao lado da democracia, e aqui não importa a preferência política nem a afinidade ideológica. A beleza disso reside em dar espaço igual a todos que tem em comum o fato de não aceitarem que um fascista possa chegar à presidência da república.

Neste universo de judeus e judias, se encontram brasileiros de todo o Brasil e até de fora dele, como é o meu caso. Não importa onde o destino nos levou, nosso amor pelo país, nossa ética e nossa moral elevada contra todo tipo de preconceito nos acompanham onde quer que estejamos.

Dentro do grupo existem diversas visões para o futuro do Brasil. Todos desejam o melhor e querem uma mudança. Todos percebem o difícil momento que o país atravessa e sofrem com isso. Ninguém aceita que as coisas continuem como estão e procuram apontar uma solução. O grupo acolhe a todos e a todas.

Numa democracia é preciso compreender que em uma eleição pode-se ter votado no candidato vencedor, ou naquele que foi preterido pelas urnas. Isso faz parte do jogo e vai se repetir em quatro anos novamente. O importante é saber distinguir entre os candidatos àqueles que aceitam participar do jogo conforme estas regras.

O povo judeu é o único povo mencionado na Bíblia que continua entre nós. Não foram poucas as perseguições, tentativas de conversão forçada e até sua aniquilação total. Sobrevivemos a tudo isso e chegamos até aqui. Não somos meros espectadores da história, fazemos história.

No dia de hoje, o mais importante do nosso calendário, o Yom Kipur (Dia do Perdão), eu preciso trazer uma mensagem de paz e de solidariedade. Hoje também é preciso repensar o que fizemos, e aprendermos com nossos erros cometidos ao longo do ano que passou.

Não somos perfeitos, somos um povo como todos os outros. Entre nós existem diferenças, existem distintas maneiras de encarar o mundo e quais as soluções para um mundo melhor. No entanto, o que sempre nos uniu, independentemente de qualquer coisa foi nossa união em torno do perigo a nossa existência, perigo este que nos tempos modernos sempre veio na forma de salvadores que diziam ter vindo para salvar o mundo, que se ungiam de um fanatismo contra todas as minorias e semeavam o ódio entre irmãos. Este é o fascista, este é Bolsonaro, esta é lição que aprendemos.

Nós chamamos a todas as minorias a cerrarem fileiras contra este candidato e a todos os Brasileiros a se unirem a nós contra o que ele representa. O Brasil precisa de amor, de educação e de justiça social. Esta é a mensagem de paz.

Todos por todas e todas por todos. Esta é a mensagem de solidariedade.

#elenão

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