Jungmann e as balas perdidas nos Correios

"Não sei se o ministro mentiu ou apenas cometeu um equívoco primário, o que é grave para alguém na sua posição, mas a questão continua em aberto: se o lote não foi roubado nos Correios da Paraíba em 2006, onde foi roubado então?", questiona o colunista do 247 Alex Solnik diante da contradição do ministro da Segurança, Raul Jungmann, sobre a munição de 9 mm usada para matar Marielle Franco, que fazia parte de lote destinado à Polícia Federal; "Ou não foi roubado? Jungman está mais perdido que as balas que segundo ele foram perdidas nos Correios"

Jungmann e as balas perdidas nos Correios
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   Provavelmente devido ao cansaço mental dispendido nos últimos dias, ou para não deixar uma pergunta sem resposta, o ministro da Segurança Pública Raul Jungmann afirmou que a munição 9 mm usada para matar Marielle fazia parte de lote destinado à Polícia Federal que foi surrupiado na agência central dos Correios da Paraíba, em 2006. E que, depois de mais de 50 inquéritos, nunca se descobriu os culpados.

   Todos acreditaram, certos de que um ministro não sairia dizendo bobagens a esmo, apesar do absurdo: de supor que os Correios transportem munição!

   No dia seguinte, os Correios desmentiram não só ter havido roubo como também que a companhia transportasse esse tipo de carga.

   "Em resposta às recentes notícias sobre suposto desvio de carga pertencente à Polícia Federal ocorrido nos Correios, a empresa esclarece que, no passado recente, não há nenhum registro de qualquer incidente dessa natureza e que está apurando internamente as informações", informou a empresa, em nota, acrescentando que armas, munições e drogas são alguns dos itens proibidos no tráfego postal.

   Seria, realmente, espantoso uma fabricante de munições entregar sua mercadoria por correio e não por transporte especializado e estreitamente escoltado, ainda mais em se tratando de um cliente como a Polícia Federal.

   E os Correios manipularem cargas tão perigosas.

   Jungmann, no entanto, considerou plausível a informação que alguém lhe passou e a passou pra frente, e não a reconsiderou nem mesmo depois do desmentido dos Correios e de ter refletido acerca do assunto.

   Não sei se o ministro mentiu ou apenas cometeu um equívoco primário, o que é grave para alguém na sua posição, mas a questão continua em aberto: se o lote não foi roubado nos Correios da Paraíba em 2006, onde foi roubado então?

   Ou não foi roubado?

   Jungmann está mais perdido que as balas que segundo ele foram perdidas nos Correios.

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