Juro zero contra emprego zero

Juro negativo contra emprego negativo

A liberação, pelo BC, dos compulsórios, que não resultou em retomada de empréstimos, como noticia, hoje, Valor, comprova que as empresas não querem grana no caixa.
Só para pagar juro baixo, a fim de fabricar mercadorias, que ficarão estocadas, diante da redução do consumo das famílias, que representa 80% do PIB?
Que fazer?
O BC está sendo obrigado a retomar o compulsório, o dinheiro empossado, em forma de operações compromissadas que significam mais dívida pública.
Os bancos depositam no BC o dinheiro e recolhem títulos da dívida pública sobre os quais ganham juro Selic que está na casa dos 3% a 5%.
Faturam sem fazer força, ficando só na agiotagem.
Embora o juro real esteja, oficialmente, na casa dos 2%, descontada a inflação, sabe-se que funciona oligopólio dos bancos para levar vantagem nos leilões.
A dívida, portanto, continua subindo, por força dos juros capitalizados, juros sobre juros, anatocismo, condenado pela súmula 121, do STF.
Vai-se assim inviabilizando a economia, quando o endividamento se aproxima dos 100% do PIB – já está em 79%, mesmo com o juro Selic em queda.

Fugindo da hiperinflação

Nos países capitalistas desenvolvidos, os bancos centrais, diante desse problema, com dívida pública superior a 100%, 150%, 200% do PIB, passaram a praticar juros zero ou negativo.
Os governos continuam se endividando, porque a dívida pública, sobretudo, representa instrumento de desenvolvimento, mas não pagam mais nada por ela.
Evitam, dessa forma perigo hiperinflacionário, se praticarem juro positivo.
O capitalismo, na sua fase ultra-financeira, especulativa, tornou-se incompatível com juro positivo, para financiar endividamento público.
Diante do impasse, que o BC brasileiro está enfrentando, com dinheiro empoçado, sem tomadores, a única saída é o governo jogar o juro para zero ou negativo, para financiar dívida pública.
Reduziria, relativamente, ela, de modo ganhar folga para manter oferta monetária, única variável econômica, realmente, independente, sob o capitalismo, para continuar ativando consumo, produção, arrecadação e investimento.
Juro zero ou negativo, portanto, evitaria salário zero ou negativo e, consequentemente, desemprego zero.
O empoçamento do dinheiro do compulsório nos bancos é sinal alarmante da crise econômica-fnanceira nacional.
Prova que a economia não suporta mais juro positivo, a exemplo do que ocorre nos países capitalistas desenvolvidos.

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