Largo tudo e vou embora

Largue tudo. Vá embora. Leve consigo o chefe e sua camarilha. Serão mais felizes lá na sua pátria amada. E nós teremos a chance de reconstruir a nossa felicidade com vocês bem longe daqui

O ministro da Economia Paulo Guedes reagiu à crítica de um grupo de pessoas por causa de sua fala grosseira contra a esposa do presidente da França. Disse o ministro: “na terceira abordagem como essa, eu largo tudo e vou embora. Aí vocês vão ver o que é bom, como é que fica.”

Por favor ministro, não mude de ideia. A absoluta maioria dos brasileiros está pagando para ver o cumprimento dessa promessa. Se necessário, não o abordaremos somente três vezes, mas três vezes trezentos mil se isso ajudar no convencimento. Largue tudo. Abandone-nos a nossa própria sorte; é tudo quanto desejamos.

Largue a nossa previdência pública. Ela permitiu que milhões de idosos e pessoas vulneráveis adquirissem um mínimo de dignidade nesse país tão escandalosamente desigual. Você largando fora, nos livraremos do maldito modelo de capitalização, experiência medonha – e fracassada - que você vivenciou, e aprovou, no regime fascista do general Pinochet, o mais sanguinário ditador latino americano. Não nos convencem seus cálculos. São apenas pretextos para entregar a previdência pública para os lucrativos planos de previdência privada do setor financeiro que você tão bem representa.

Largue as nossas estatais. Elas garantem a nossa segurança em áreas estratégicas para o desenvolvimento do Brasil como uma nação autônoma. 

Largue a Petrobras, empresa símbolo do nosso orgulho de sermos brasileiros. Explique para nós, cidadãos não-chicago-boys, qual a vantagem para o Brasil vender uma empresa que, de janeiro de 2018 a junho de 2019, teve um lucro acumulado de R$ 48,6 bilhões de reais (média de R$ 2,7 bilhões por mês)? Se essa empresa tem o controle sobre uma das maiores reservas de petróleo do mundo? Se ela tem  a tecnologia mais avançada do mundo para exploração do petróleo do pré-sal? Se isso garante a segurança energética do país por várias décadas? Se for capaz de explicar isso em bom português, talvez enfraqueça a nossa crença de que essa privatização só interessa à meia dúzia de amigos seus, nascidos em pátria amada que não a brasileira, possivelmente estadunidenses concorrentes da nossa maior empresa, razão “infeliz” para a cobiça internacional sobre ela.

Largue o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. De janeiro de 2018 a junho de 2019, as duas estatais tiveram lucros, respectivamente, de R$ 20,13 e R$ 20,8 bilhões, média de R$ 2,3 bilhões por mês. 

Consideradas apenas essas três estatais - Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Federal -, o saldo positivo para o país é um lucro médio mensal de R$ 5 bilhões. É preciso ser muito ignorante, ou ter muito má-fé – ou ainda ter participação lucrativa na negociata -  para defender a entrega dessas empresas para os capitalistas estrangeiros. Porque é entregar para os outros um lucro que é nosso, é entregar a nossa autonomia de regulação financeira e a segurança energética para ficar dependente de estratégias de dominação estrangeira.

Largue o Estado do bem estar social insculpido na Constituição Federal de 1988. A defesa que você faz do estado mínimo e a redução da carga tributária para 20% do PIB é o desmonte completo de todos os direitos e da cidadania conquistados nas últimas décadas. É o retorno ao capitalismo predatório e fascista existente antes da Segunda Guerra mundial: sem direito à educação, sem saúde para o povo mais pobre, situação onde vige a lei do mais forte, com a segurança pública eficiente apenas para a defesa patrimonial dos mais ricos, onde os endinheirados contratam seus milicianos para resolver os problemas à bala. Aliás, a milícia deve ser o único setor em que há geração de novos empregos, dada a absoluta incompetência do Ministro da Economia para qualquer iniciativa capaz de dar algum alento à economia paralisada. Tudo o que se vê é a repetição de frases feitas e decoradas há cinquenta anos atrás, delegando ao deus-mercado a bondosa tarefa de abrir mão de uma parte dos seus lucros para arriscá-la em empreendimentos a favor dos mais necessitados, realização sempre frustrada. E os papagaios de frases prontas não sabem por que a economia não deslancha.

Largue a reforma tributária.  Seu único objetivo é desonerar ainda mais os setores mais ricos do país que, proporcionalmente, pagam muito menos impostos que os mais pobres. Está claro que um percentual expressivo da arrecadação, hoje usada para manter os serviços essenciais à população, será liberada para aumentar as taxas de lucro das grandes corporações privadas. Sua reforma tributária é isso e nada mais, como diria o corvo de Poe.

Largue o seu modelo de capitalismo ultraliberal. Não funcionou em nenhum lugar do mundo. Sua ilusão é que funcionou no Chile porque lá tinha uma ditadura fascista sanguinária reprimindo e assassinando os adversários. Por isso você tem a ilusão de que funcionou bem lá. Não é simples coincidência que você não tenha tido outra oportunidade de testar seu modelo em nenhum outro governo democrático, e que tenha sido chamado agora por um presidente admirador de torturadores e ditadores. Você só teria chance de fazer funcionar seu modelo se Bolsonaro conseguisse emplacar uma feroz ditadura estilo Pinochet. Esqueça, não permitiremos. Não somos tão tolos assim.

Sabemos muito bem seu verdadeiro plano. Brasil Colônia – o retorno do escravagismo: esse é o projeto que une você e Bolsonaro.

Por isso pedimos: cumpra sua promessa não nos decepcione.

Largue tudo. Vá embora. Leve consigo o chefe e sua camarilha. Serão mais felizes lá na sua pátria amada. E nós teremos a chance de reconstruir a nossa felicidade com vocês bem longe daqui.

VÁ EMBORA E NÃO VOLTE NUNCA MAIS!

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