Lava Jato é golpe e o Brasil como pária internacional

Lula, Moro e Dallagnol
Lula, Moro e Dallagnol (Foto: 247 | Reuters)
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Dentre todas as ações de policiais da PF, procuradores e juízes da Lava Jato, que tinham o propósito de combater a corrupção e se tornaram instrumentos de perseguição e combate político (lawfare) clandestinos, o que mais chamou a atenção, por se tratar de uma realidade insólita e completamente antiética, foi a posse do juiz de extrema direita de primeira instância, Sérgio Moro, no cargo de ministro da Justiça do fascista Jair Bolsonaro, inimigo feroz e impiedoso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato favorito a vencer as eleições para presidente da República em 2018.

Acontece que o juiz obsessivo e seus sequazes da Lava Jato foram os responsáveis pela condenação injusta e canalha que levou um homem inocente ao cárcere, bem como sua família foi covardemente perseguida e humilhada sem trégua, acontecimentos estes que conspiraram, certamente, para as mortes de pessoas importantes à vida do ex-mandatário de esquerda, a exemplo de irmão, neto e esposa, a dona Marisa Letícia, que não suportou a desumana caçada praticada por parte de servidores públicos concursados e de classe média e média alta.

Agentes de Estado que recebem altos salários pagos pelo contribuinte e que possuem valores pequenos burgueses ao ponto de evidenciarem recorrentemente pelas redes sociais todo tipo de preconceito político, ideológico, de classe e origem, sem o mínimo escrúpulo e vergonha na cara, mesmo a ocuparem cargos públicos de relevância e prestígio, em um País com milhões de desempregados e outros muitos milhões a trabalhar na informalidade ou sem direito à carteira de trabalho e ao recolhimento do FGTS e INSS, a deixar os trabalhadores à míngua e sem qualquer proteção na velhice.

Tais abutres de uniformes, becas e togas, que enveredaram para a ação política ao tomarem partidos e a demonstrarem cor ideológica estão de fato no poder, após a imprensa de negócios privados, controlada por bilionários proprietários de oligopólios midiáticos se tornar a principal aliada de uma operação draconiana orquestrada e destinada a tirar o PT do poder, assim como cooperar, e muito, para o golpe de estado contra Dilma Rousseff e, posteriormente, levar Lula à prisão, porque a equação jamais fecharia somente com a deposição de uma presidente legitimamente e constitucionalmente reeleita, sem que o líder mais importante da América Latina e reconhecido internacionalmente não fosse perseguido e preso.

Como dar um golpe cucaracha e terceiro mundista com o Lula candidato favorito às eleições de 2018? Como? Não tem apelação, e a Lava Jato entra em ação. Os meganhas togados ou vice-versa resolveram, então, interferir criminosamente, não somente na política, mas também causaram prejuízos incomensuráveis à economia brasileira e à soberania nacional, porque agentes a serviço dos interesses dos Estados Unidos e da burguesia escravocrata nacional de caráter entreguista e colonizador do povo brasileiro. Arrebentaram com os setores industriais de alimentos, construção, naval e petrolífero, que são os alicerces das economias de quaisquer países. 

Arrebentaram com o mercado interno e hoje estão a entregar um mercado poderoso com dezenas de milhões de consumidores às empresas estrangeiras. Estão a entregar empresas públicas estratégicas e a se preocupar com bolsas de valores, taxas de juros, inflação e o que mais o valha em detrimentos do bem-estar social e do desenvolvimento do País, que passou cerca de 13 anos a debelar crises internacionais e a garantir os interesses econômicos e de soberania do Brasil, com inquestionáveis melhorias no que concerne à condição de vida de milhões de brasileiros. Basta, a quem tem dúvidas, pesquisar e verificar os números e índices econômicos e sociais no período dos governos trabalhistas do Partido dos Trabalhadores.

Quando Dilma saiu do poder, a inflação média de seu período interrompido por um golpe era de 4,5%, com o desemprego 4,3% em média, sendo que seu governo trabalhista foi sabotado pelas pautas bombas apresentadas na Câmara presidida por Eduardo Cunha, além de enfrentar micaretas diuturnas da classe média coxinha, com o apoio irrestrito de monopólios midiáticos como a Globo e da Fiesp. Engessaram o governo e o desemprego foi para um pouco mais de 8%, quando a presidente deixou o poder. Nada igual como a derrocada da economia e do consumo no período de Temer e agora de Bolsonaro, que canta loas por causa de uma inflação relativamente baixa, mas sem consumo e desemprego altíssimo, com pequenas melhorias sazonais, a exemplo do Natal. Um retumbante fracasso.

O País territorialmente gigante que pela primeira vez teve alguma influência nos fóruns internacionais e que se negou a se submeter à politica externa dos Estados Unidos, a se tornar um País multilateral e reivindicador, a fim de ocupar cadeiras nas instituições internacionais, a exemplo de OMC, OIT, OMS, Conselho de Segurança da ONU, assim como o Brasil tratou de fortalecer o Mercosul e a Unasul, como também tratou de derrotar a Alca norte-americana que transformou o México em uma província da gringada malandra e esperta exemplificada no Tio Sam.

O golpe de estado de 2016, que se iniciou em 2013 por meio das micaretas de coxinhas e bolsominions nada preocupados com a corrupção, como comprovaram os tempos de PSDB, Lava Jato, Michel Temer e Jair Bolsonaro, é antes de tudo e qualquer coisa um golpe efetivado e fomentado pela luta de classe. Engana-se quem pensa o contrário. 

Ou se sujeita, como um indivíduo sem noção e discernimento, que os movimentos orquestrados pela grande mídia e organismos internacionais para derrubar Dilma Rousseff foi por causa da corrupção, como a direita o fez em 1945, 1954 e 1964, com um discurso falso moralista e baseado em que os homens e as mulheres “de bem” de propósitos udenistas/lacerdistas odeiam a corrupção, sendo que a realidade é que essa gente “de bem”, que defende a família, a propriedade, a pátria e o “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” não passa de integrantes de uma classe média ressentida, rancorosa e que considera ser traída pelos governos progressistas.

A classe média quando viu os pobres, negros, gays, mulheres, portadores de deficiência, trabalhadores e todos aqueles que frequentam a base da pirâmide social ou que não tem voz ativa para reivindicar começaram a ser os protagonistas de suas próprias histórias e ter acesso à universidade, ao consumo, à carteira assinada, como as empregadas domésticas, a voar de avião, sendo que chegou a um ponto de o número de passageiros em aeroportos superar o  número de passageiros em rodoviárias, além de ter sido aberto carteiras de crédito nos bancos públicos à população e, principalmente, aos pequenos e médios empreendedores, sem esquecer das obras de infraestrutura em todo o País que movimentaram o consumo e o mercado de trabalho, sentiu uma incontrolável revolta e quando teve oportunidade saiu às ruas, a ter como mote a corrupção.

Como sempre a corrupção, a reviver tempos idos da história do Brasil. A mesma ladainha cretina, obsessiva e hipócrita, além de incomensurável ignorância e falta de propósitos que somente a classe média tem o monopólio, pois sua obtusidade e leviandade são ímpares e irrefragavelmente inquestionável. Trata-se dos coxinhas miameiros desiludidos com suas próprias aleivosias e iniquidades somente comparáveis à burrice dos bolsominions, que consideram a Terra plana e que acham que crianças vão mamar em mamadeiras de piroca. Pobre do Brasil. Escárnio!

Todos os golpes acontecidos na história do Brasil, o último País a libertar os escravos, tiveram como essência a luta de classe, e foi o que ocorreu com a deposição de Dilma Rousseff, a exemplo da prisão de Lula, das quedas de Getúlio Vargas e João Goulart, bem como o exílio e perseguição intermitente a Leonel Brizola por parte da burguesia e das oligarquias brasileiras, à frente o Grupo Globo da famigilia Marinho, que há muito tempo deveria ser severamente investigada e, se fosse o caso, colocá-la na cadeia. Porque se tem um oligopólio que está repleto de esqueletos no armário este oligopólio é o Grupo Globo.

E deu no que deu, o Brasil está sem rumo, com um mezzo fascista na cadeira da Presidência e um obsessivo ambicioso, além de mitômano no Ministério da Justiça, à espera de uma vaga no STF ou quiçá ser candidato a presidente da República, apesar de se mostrar, no decorrer de sua ascensão política vai Lava Jato, uma autoridade despreparada e que não tinha o mínimo conhecimento do mundo político e institucional quando se trata do Poder Executivo e do Congresso.

Esse sujeito, sem eira nem beira, criminalizou os partidos políticos de esquerda e judicializou a política, de forma que até atos administrativos presidenciais mediantes à consultoria e assessoria de técnicos de alto escalão foram também criminalizados para serem judicializados e, consequentemente, promover perseguições por meio de lawfare e da teoria do domínio do fato, duas excrecências jurídicas que muito serviram à direita brasileira que perdeu quatro eleições presidenciais consecutivas, sendo que na última o playboy golpista e irresponsável Aécio Neves, que está livre, leve e solto não reconheceu a derrota para Dilma Rousseff e deu o pontapé inicial do que seria o golpe nas mãos do gângster Eduardo Cunha.

O Eduardo Cunha que Sérgio Moro — o Homem Muito Menor — não quis ouvir em arrumação com a Lava Jato, cujo um dos chefes é o fanático de direita, Deltan Dallagnol, o autor do power point leviano e mentiroso contra Lula, que no fundo serviu para desqualificar e desmoralizar esse servidor público arrogante e autoritário, que teve suas mensagens com seus parceiros de golpes e crimes evidenciadas pelo Intercept Brasil. Um homem sem limites éticos e que jogou para o alto as leis para que seus propósitos políticos e financeiros fossem concretizados.

A Lava Jato é a maior farsa judiciária e judicial da história do Brasil, e seus autores um dia serão duramente questionados nas barras dos tribunais. O tempo passa, mas não haverá como essa gente que se acumpliciou para efetivar um golpe contra um governo legítimo e desmontar o Estado nacional, além de destruir empresas brasileiras multinacionais, sair impune eternamente, bem como as páginas da história reservarão um lugar subterrâneo para tais golpistas, que dividiram a sociedade brasileira e agora estão a se locupletar no poder mediante um golpe de estado e a prisão do maior líder popular de todos os tempos. Lava Jato é golpe e o Brasil como pária internacional. É isso aí.

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