Lenin Moreno e o Moreno anti-leninista

Parece que enquanto a direita se une por um interesse comum - a espoliação e venda dos bens nacionais ao capital estrangeiro, a esquerda ainda se perde em discursos e ideias pouco práticos

Não é possível chamar a candidatura de Lenin Moreno de uma candidatura da esquerda tradicional. Seu partido, a Aliança Nacional, se enquadraria melhor no nacional-desenvolvimentismo. Mas uma pergunta deve ser feita, se a direita equatoriana num amplo leque que vai dos liberais aos conservadores, passando por militares golpistas e gente ligada as oligarquias consegue se unir contra a candidatura de Lenin Moreno e em apoio a seu adversário, não seria um equívoco a esquerda se silenciar e não tomar posição?

Um outro Moreno (Nahuel Moreno), esse argentino e colaborador das forças repressoras, elaborou uma teoria interna denominada batalha política em duas frentes, que consistia em lutar contra a ditadura argentina e caso pegassem um de seus "militantes" o mesmo deveria dizer que integrava outra organização e entregar membros da mesma, assim usariam a maquina repressora para lutar contra as forças stalinistas.

Nahuel Moreno passou para a Historia como um quinta coluna, sua organização trotskista internacional (LIT-QI) colaborou com a mafia anti-castro em Cuba, queimando canaviais e sabotando fabricas, sua experiência guerrilheira na Nicaragua,conhecida como Brigada Simon Bolivar, desembocou na traição e entrega de informações e armas aos chamados Contras (forças mercenarias a serviço da CIA que atuaram na Nicaragua e outros paises da America Central lutando contra as guerrilhas de esquerda), alem da batalha politica em duas frentes, Nahuel Moreno tambem elaborou e encorajou a chamada tatica 2, metodo pelo qual para atrair militantes para sua organização as militantes deveriam praticar sexo com os mesmos.

Parece que Lenin Moreno,herdou para si a maldição de uma esquerda que age como Nahuel Moreno e sua batalha em duas frentes.

Aqui no Brasil os representantes da Internacional Trotskista de Nahuel Moreno (PSTU), chamaram o Fora Todos, em conjunto com as forças reacionarias e de direita, chamando o golpe branco contra um governo democraticamente eleito de impeachman e, fazendo sua defesa junto a setores como MBL, Vem Pra Rua e outros lunaticos cuja alma e convicções prostituiram ao deus mercado. Essa foi a batalha politica em duas frentes aqui no Brasil, levada a cabo pelos seguidores de Zé Maria, que de maneira ardilosa e prevendo o fim de sua ''organização'', articulam o entrismo em outro partido, mediante um suposto racha que originou o chamado MAIS ( movimento alternativa independende socialista), com membros do antigo comitê central do PSTU, que sequer esboçaram um rascunho de critica séria. E por falar em seriedade, a brincadeira á epoca da fundação da filial entrista do PSTU, era que se sairam 700 ''militantes'' de lá, PSTU estaria com um saldo negativo de pelo menos 200 militantes.

Lenin Moreno será eleito - assim esperamos - sem apoio da esquerda tradicional equatoriana e será o primeiro presidente cadeirante da America do Sul, a direita se unirá contra ele e minará suas forças, será um segundo turno complicado. Será eleito com um programa bem mais radical que seu antecessor Rafael Correa, com mais nacionalizações e utilização das fontes de gás, petroleo e minerios para investimentos em saúde, educação, moradia popular e agricultura familiar. Mas o que me faz coçar a cabeça é a incapacidade da esquerda em construir uma unidade mesmo que seja pontual e contra o avanço da direita no continente.

Parece que enquanto a direita se une por um interesse comum - a espoliação e venda dos bens nacionais ao capital estrangeiro, a esquerda ainda se perde em discursos e ideias pouco práticos, como se o marxismo, ou o que eles acreditam ser marxismo, fosse apenas um dogma, algo que se defende de maneira cega e sem dialogo com a realidade, amputado de pragmatismo e deslocado do tempo e do espaço. Precisamos de mais Lenin e menos Nahuel.

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