Liberdade, abre as asas sobre nós

Daqui a pouco vão nos impedir de usar camisetas com poemas que não agradem as elites, ver filmes sobre nossa história recente, cantar canções de protesto ao golpe. Teremos que parar de pensar também? Assim foi na ditadura militar que dominou o Brasil mais de 20 anos

Daqui a pouco vão nos impedir de usar camisetas com poemas que não agradem as elites, ver filmes sobre nossa história recente, cantar canções de protesto ao golpe. Teremos que parar de pensar também? Assim foi na ditadura militar que dominou o Brasil mais de 20 anos
Daqui a pouco vão nos impedir de usar camisetas com poemas que não agradem as elites, ver filmes sobre nossa história recente, cantar canções de protesto ao golpe. Teremos que parar de pensar também? Assim foi na ditadura militar que dominou o Brasil mais de 20 anos (Foto: Chico Vigilante)

A censura foi uma das mais poderosas armas usadas pelos nazistas. Como estratégia de dominação foi bastante eficaz.

No Brasil do golpe ela vem se instalando sorrateiramente em galerias de arte, museus, escolas, universidades, e até no carnaval.

A última delas foi impedir o Vampirão Temer da Tuiuti de comemorar sua vitória no domingo portando a faixa presidencial.

Da proibição de uma exposição de obras de arte no Santader gaúcho, a onda de censura avançou sobre a presença da filósofa americana Judih Buttler no seminário Os fins da Democracia, em São Paulo.

As garras da censura se alastraram sobre a oferta de disciplinas sobre Feminismo na UFSC - a mesma onde o reitor Cancellier se suicidou após ser humilhado e preso arbitrariamente.

O alvo agora é a Universidade de Brasília- UnB, foco de resistência contra a ditadura militar nos anos de 1964, 1968 e em 1977, quando o Exército invadiu o campus e o Minhocão se transformou em campo de batalha com soldados a cavalo espancando e prendendo estudantes, e professores.

A intenção era acabar com a resistência do movimento estudantil em greve após a expulsão das principais lideranças dos alunos pelo reitor, capitão de mar e guerra, José Carlos Azevedo.

A decisão, agora, do ministro da Educação, Mendonça Neto, de censurar a oferta de uma disciplina da ciência política da UnB, "O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil", é apenas mais uma mostra de que a escalada nazista contra a cultura é parte bem definida do roteiro do golpe.

Neste caso é ainda pior. Querem impedir que nossa história seja debatida pela juventude. Querem evitar que a história real seja escrita.

Daqui a pouco vão nos impedir de usar camisetas com poemas que não agradem as elites, ver filmes sobre nossa história recente, cantar canções de protesto ao golpe. Teremos que parar de pensar também?

Assim foi na ditadura militar que dominou o Brasil mais de 20 anos.

Assim foi na Alemanha quando o Ministério da Propaganda Nazista, dirigido por Joseph Goebbels, assumiu o controle de todos os jornais, revistas, livros, exposições artísticas, músicas, filmes, rádio, reuniões públicas e comícios.

Toda ideia que ameaçasse o regime ou as convicções nazistas era censurada ou excluída da mídia.

Em 10 de maio de 1933, por toda a Alemanha, nazistas invadiram bibliotecas e livrarias e levaram para as ruas livros censurados constantes de uma extensa lista feita por estudantes e professores adeptos de Hitler.

Marcharam com tochas acesas, cantando hinos nazistas e naquela noite, mais de 25.000 livros foram queimados em imensas fogueiras.

Alguns eram obras de escritores judeus, como Albert Einstein e Sigmund Freud, mas a maioria era de autoria de não-judeus famosos como Jack London, Ernest Hemingway e Sinclair Lewis.

O que está se tentando fazer na UnB e o que foi feito em outras universidades é acabar com a liberdade de cátedra, é desrespeitar a autonomia universitária, direitos reconhecidos legalmente.

Em última instância é um ataque frontal à pluralidade do pensamento, requisito básico dos estados democráticos. O fato é que já faz algum tempo no Brasil não vivemos mais numa democracia.

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