Lira é mistura de Collor com Cunha

"Quando Lira diz que a Câmara sairá do 'eu' para o 'nós', o que deve ser entendido é que ele não vai mandar sozinho, mas com o apoio da sua tropa de choque, repetindo o modelo de Eduardo Cunha, de quem foi fiel aliado até à última hora", diz Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia. "Lira é mistura de Collor com Cunha"

(Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)
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Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

Em menos de cinco minutos de poder o novo presidente da Câmara dos Deputados mostrou quem é e a que veio.

Depois de fazer um discurso, em pé, prometendo dividir o poder com todo o plenário e olhar de modo imparcial para a direita, a esquerda e o centro, ao sentar na cadeira baixou seu primeiro ato institucional: anulou a formalização do bloco do ex-grupo dos 11, agora sem o DEM, para disputar a Mesa da Câmara que tinha sido admitida pelo ainda então presidente Rodrigo Maia horas antes.

Alegando que o documento foi registrado seis minutos depois do tempo regulamentar (e sem levar em conta que isso se deu porque o sistema estava fora do ar), Lira, ao anular o bloco, ficou com os cinco primeiros cargos da Mesa; o PT, dono da maior bancada, ficará com o sexto tão somente.

Tivesse prevalecido o bloco, caberia ao PT a primeira vice-presidência e mais cargos para os demais partidos do grupo, que ficaram a ver navios.

A índole de Lira é tão autoritária quanto a de Bolsonaro.

Quando Lira diz que a Câmara sairá do “eu” para o “nós”, o que deve ser entendido é que ele não vai mandar sozinho, mas com o apoio da sua tropa de choque, repetindo o modelo de Eduardo Cunha, de quem foi fiel aliado até à última hora.

Lira é mistura de Collor com Cunha.

E sua ambição é ser Rei Arthur.

Ele está trazendo a “República de Alagoas” de volta ao poder, com seus jagunços e saqueadores e retomando as práticas consagradas por Cunha, como a chantagem, a intimidação e a truculência.

Tanto Collor quanto Cunha não são exemplos de equilíbrio, pacificação nem de estabilidade.

Chegaram ao poder exibindo muita arrogância e soberba, mas em pouco tempo seus estilos e seus métodos nada republicanos vieram à luz, enojaram os brasileiros e logo caíram em desgraça.

Collor durou dois anos no poder.

Cunha, apenas um.

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