Lula, como Biden, quer nova política econômica, mas elite tupiniquim resiste

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Lula e Joe Biden (Foto: Stuckert | Reuters)


Opostos se atraem e se repelem. O debate econômico na maior potência econômica do planeta se volta ao ataque ao neoliberalismo; ele concentra renda, eleva desigualdade social, racha, politicamente, a sociedade, como se vê, no momento, entre democratas e republicanos; sobretudo, fragiliza a economia americana, que perde espaço, dia a dia, para o seu concorrente maior, a China; evidencia que a anarquia capitalista não suporta o capitalismo organizado chinês, pautado em planejamento, comandado pelo partido comunista etc; nesse cenário, por que a elite tupiniquim, rendida à orientação de Washington e de Wall Street, ataca Lula, justamente, por se alinhar com essa nova orientação de política americana, colocada em prática pelos Democratas, com Biden? Simples, não quer a nova política americana de frear o neoliberalismo, porque com as medidas neoliberais continuará enriquecendo, enquanto a maioria da população continuar perdendo feio.

EMBALO LULISTA

Lula, pela sua estratégia em marcha, que lhe confere vantagem ampla nas pesquisas eleitorais, diante do candidato Bolsonaro, que abraça neoliberalismo radical, repudiado, hoje, nos Estados Unidos(e em todos os lugares), faz o que Biden faz mas que não quer que seja feito no Brasil por Lula; o capitalismo cêntrico, imperialista, não concorda que a periferia capitalista siga os Estados Unidos predispostos a superar impasse do neoliberalismo, marcado pelo excesso de concentração de capital, de um lado, e excesso de pobreza, de outro; os americanos vão acumulando déficits comparativamente à China, porque os chineses estão mostrando ao mundo que, graças à orientação e planejamento centrais conduzidos pelo Partido Comunista, obtém melhores resultados do que manter anarquia capitalista irracional; as provas são as atratividades que chineses estão exercendo sobre investidores de todo o mundo na cruzada chinesa rumo à Eurásia, como nova fronteira geopolítica política global; sintonizam-se, nesse sentido, com a Rússia, cuja expansão na área energética aproxima-a dos europeus em escala crescente, apavorando Washington.

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MARX E ENGELS EM CENA

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Essencialmente, vai ficando claro que a caminhada de Pequim rumo à superioridade histórica frente a Washington, é dada pela ação politicamente socialista combinada de política e economia mediada pelo Parido Comunista; de um lado, a organização e planejamento expostos por política fiscal e monetária comandadas por PC chinês, expande e controla bancos públicos e de investimentos, agindo em escala nacional e global; e no plano geopolítico, a palavra de ordem é cooperação internacional, ao contrário de Washington, que é de confrontação e agressividade, como forma de compensar relativa fragilidade imperialista; destaque-se que, no exercício do poder chinês, está em plena execução o artigo 5º do Manifesto Comunista, de Marx e Engels, escrito em 19848/9, no qual destaca a estatização bancária como pressuposto básico do desenvolvimento, de modo a organizar consumo, produção, crédito e investimento; o controle do crédito conforme interesse público e não de acordo prioritário do interesse privado, sob supervisão política do PC chinês, é o novo fantasma de Washington.

CHINA X EUA

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Depois do crash de 2008, que levou capitalismo americano ao sufoco financeiro, Washington centralizou, como os chineses, as ações no BC, no FED, na linha de maior oferta monetária, para reduzir juros, mas preservou política fiscal anárquica pautada pela alocação de recursos na linha do lassair faire, como se o livre mercado funcionasse como no tempo do capitalismo clássico do século 19; a prática keynesiana de emitir moeda estatal para puxar economia de guerra(produção bélica e espacial como prioridade) e elevar volume de ocupação via salário nominal por unidade de trabalho, arrochando-o, de modo a manter crescente taxa de mais valia, coloca, hoje, os Estados Unidos, no contexto da financeirização econômica especulativa, sem condições de competitividade com a China.

BIDEN QUER O MESMO QUE LULA

É por isso, os economistas heterodoxos americanos pregam, agora, ao lado da maior oferta monetária, sustentação real maior do poder de compra dos salários; somente, assim, será possível dinamizar mercado interno; como Biden não está conseguindo essa façanha, seu prestígio está em queda, de acordo com pesquisas de opinião pública; poderá perder próxima eleição para Trump.

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Ora, Lula, em campanha, sabendo que vai se desgastar, caso continue, se eleito, com o modelo neoliberal bolsonarista, prega nova política salarial, isto é, valorização do salário mínimo de acordo com crescimento do PIB, mais políticas sociais compensatórias, rompendo teto de gastos, como Guido Mantega deixou claro em artigo na FSP; ao disso, o lulismo alavanca discurso da reestatização de empresas estatais, como fator de mobilização da poupança pública para alavancar investimentos, como faz Fernandez, na Argentina, para obter segundo mandato com apoio peronista; Lula prega o que Biden não está dando conta de fazer, pois, caso contrário, não conseguirá governar.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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