Lula e nosso futuro

"Quando faltam poucos dias para o STF julgar as decisões de Fachin, entrevista confirma papel que Lula tem a despenhar na reconstrução do país" escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert)
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Por Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Num momento político diferente do atual, a entrevista de Lula a Reinaldo Azevedo  poderia ter um significado estranho e mesmo fora do lugar. 

Hoje, o  sentido é claro. "Lula emerge, quer gostemos ou não, com o líder político-carismático, capaz de tirar o Brasil do atoleiro", postou o escritor e teólogo Leonardo Boff, em suas redes sociais. 

Boff tem razão. Quando faltam duas semanas para o plenário do STF tomar uma posição sobre o despacho do ministro Edson Fachin, que anulou as condenações pela Lava Jato, reconheceu seus direitos políticos e pode abrir caminho para sua candidatura presidencial em 2022, a entrevista joga luzes importantes sobre o aqui, agora. 

Não só pelas perguntas e respostas, mas pelo significado em si, o que explica a tremenda audiência que o depoimento obteve. 

O convite a Lula não é um fato jornalístico, somente. Demonstra que setores respeitáveis das forças que controlam nosso sistema político, sem qualquer simpatia pelo Partido dos Trabalhadores ou pelos partidos de esquerda, começam a reconhecer que os horrores sem fim do bolsonarismo -- Covid-19, colapso econômico, desmanche social -- levaram o país  um patamar impensável de miséria e selvageria. 

Nessa hora tão difícil,  Lula começa a ser reconhecido como um  personagem insubstituível no esforço de salvação do Brasil e dos brasileiros. 

O perfil de Reinaldo Azevedo ajuda a entender a mensagem. Crítico agressivo de Lula e do PT no passado, Reinaldo Azevedo evoluiu junto com outros personagens e o próprio cenário do país. 

Tornou-se crítico da Lava Jato, num processo análogo ao que levou o ministro Gilmar Mendes, adversário mortal de Lula durante a AP 470-Mensalão e no impeachment de Dilma, a se tornar uma voz indispensável no julgamento que condenou Sérgio Moro por parcialidade, em 23 de março. 

Agora, falta enfrentar uma nova etapa deste processo -- a reunião do plenário do STF, marcada para 14 de abril, convocada com a perspectiva de oferecer a palavra final sobre seus direitos, inclusive disputar a presidência em outubro de 2022. 

A entrevista ocorreu neste momento peculiar de nossa  história.  

Três anos depois da vergonhosa prisão de Curitiba, o mesmo Supremo que retirou Lula da campanha de 2018, e abriu caminho para a criminosa catástrofe de nossos dias, irá resolver se mantém a mordaça, ou devolve direitos usurpados. Esta é a pergunta do dia. 

A resposta irá condicionar o futuro.  

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