Lula, gigante pela própria natureza

A passagem pela Argentina demonstra ainda mais claramente a grandeza e a importância de Lula para a retomada da democracia no continente

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(Foto: Sutckert | Reprodução)


Depois da frutuosa caravana, no mês de agosto, pelo Nordeste brasileiro, colocando em movimento sua articulação geopolítica rumo ao seu retorno ao Palácio do Planalto, o presidente Lula, no dia de 17 de novembro, em seu giro internacional, dialogando com as principais lideranças europeias, na Alemanha, no Parlamento Europeu, na Espanha, no renomado instituto SciencesPo, foi recebido com honras de Chefe de Estado, no Palácio Eliseu, sede do governo francês, pelo presidente Emmanuel Macron. Lula dialogou com o líder francês sobre a cooperação entre os países europeus e da América Latina na busca de soluções para os desafios globais atuais, por um comércio mais justo e solidário e pela superação da fome, da miséria e dos impactos das mudanças climáticas, além da preocupação com o avanço da extrema direita pelo mundo com suas ameaças nefastas à democracia. Um dos principais objetivos desse seu “giro diplomático europeu” foi o de recuperar a credibilidade do Brasil diante da comunidade internacional, sinalizando concretamente que o Brasil não se resume ao seu medíocre e perverso governante atual.

Enquanto isso, no final de outubro, o inexpressivo Bolsonaro foi a Roma participar da Cúpula do G-20, para conversar com os garçons, na antessala da recepção do evento, uma vez que esteve totalmente isolado pelos chefes de estado e governo presentes naquela cimeira.

Na sexta-feira, 10 de dezembro, quando se comemoram os 73 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o presidente Lula falou para uma multidão de centenas de milhares de argentinos, reunidos na histórica Plaza de Mayo, para comemorarem 38 anos do retorno da democracia argentina, no Festival Democracia para Sempre, ao lado do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, da vice-presidente argentina Cristina Kirchner e do presidente argentino Alberto Fernández.

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Horas antes do comício na Plaza de Mayo, Lula havia recebido o Prêmio Azucena Villaflor, homenagem que tem por objetivo reconhecer cidadãos e entidades que se destacam por sua trajetória cívica na defesa dos direitos humanos. Villaflor foi a fundadora da Associação Mães da Praça de Maio (Associación Madres de la Plaza de Mayo), que congrega todas as mães de tiveram seus filhos e filhas assassinados ou desaparecidos (cerca de 30 mil) durante o terrorismo de Estado da ditadura militar argentina (1976-1983). As Mães da Praça de Maio, em 1977, começaram a fazer passeatas em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino, denunciando o terrorismo de Estado. Os generais ditadores argentinos enquadraram essas mães como subversivas. Azucena Villaflor foi sequestrada, torturada e assassinada por ordem de Alfredo Astiz (um torturador semelhante ao coronel torturador Brilhante Ustra brasileiro, ídolo de Bolsonaro).

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Em seu discurso, o presidente Lula fez um resgate histórico do período em que a América Latina foi governada democraticamente por chefes de estado de esquerda, na primeira década do século XXI, “o melhor momento da democracia de nossa pátria grande, a nossa querida América Latina, quando expulsamos a ALCA, criamos a Unasul, criamos a Celac, na qual participava Cuba e não participavam nem os EUA nem o Canadá”, afirmou.

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Ele também agradeceu a solidariedade do povo argentino que denunciou a perseguição política (lawfare) por ele sofrida, por meio da ação criminosa dos operadores da Lava Jato – Moro e Dallagnol – que resultou no Golpe Estado perpetrado em 2016: “a perseguição que me colocou em cárcere é a mesma perseguição que a companheira Cristina é vítima aqui na Argentina”, denunciou.Em sua conclusão, disse: “O dia de hoje é um dia para vocês encherem o coração de esperança porque a democracia não é um pacto de silêncio. É o momento extraordinário em que nós nos manifestamos na construção de uma sociedade efetivamente justa, igualitária, humanista, fraterna, onde o ódio seja extirpador e o amor seja o vencedor”. Em entrevista que foi capa do jornal argentino Página 12, Lula afirmou que o PT tem o desafio de superar o obscurantismo do bolsonarismo e colocar o Brasil no trilho do desenvolvimento: “O Partido dos Trabalhadores é capaz de mudar a situação do Brasil, precisa voltar ao governo porque sabe colocar em práticas políticas públicas de inclusão social, de geração de empregos, para que os mais pobres participem dos orçamentos das cidades e dos estados brasileiros. Não podemos aceitar que um país do tamanho do Brasil, que em nosso governo foi a sexta economia do mundo, hoje seja a décima quarta. Não podemos aceitar que um país que acabou com a fome de sua população em 2012, hoje veja o flagelo tão forte, com 19 milhões de pessoas que não têm o que comer”, disse o presidente Lula.

Por fim, sobre o entrave das negociações entre o Fundo Monetário Nacional (FMI) e o governo argentino, ele foi enfático: “É possível construir um acordo. O FMI foi bastante benevolente com os países ricos em meio a crise de 2008. Portanto, o FMI tem que ser bastante generoso para tratar da dívida argentina. O povo argentino jamais poderá ser sacrificado”. Essa passagem pela Argentina demonstra ainda mais claramente a grandeza e a importância do presidente Lula para a retomada da democracia em nosso continente e no cenário internacional.

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Enquanto isso, Bolsonaro continua negando, no cercadinho, a importância das vacinas no combate ao Covid-19. Que o Tribunal de Haia aja com celeridade analisando a denúncia apresentada pela CPI do Senado por crime contra a humanidade. Quanta perversidade! É o que ele sabe ser.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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