Lula já ganhou, mas...

"Ele incentiva a violência em busca de uma reação à altura da esquerda que crie uma situação propícia à decretação de estado de sítio" , diz Eduardo Guimarães

www.brasil247.com - Bolsonaro e Lula
Bolsonaro e Lula (Foto: Isac Nóbrega/PR | REUTERS/Washington Alves)


Se Bolsonaro tivesse a mais ínfima chance de vencer a eleição presidencial, não faria nada do que está fazendo. Se suas "bondades" eleitorais, equivalentes a 5% do PIB, tivessem que fazer  efeito, já teriam feito. E não fizeram. Ele não cresceu nas pesquisas.  

Então Lula já ganhou? Sim... E não.  

Entre os muitos indícios de que Bolsonaro já sabe que vai perder de Lula, o mais contundente é a decisão dele de reunir dezenas de embaixadores para difamar o sistema eleitoral do país, levantando uma nuvem de suspeição que afasta investidores e descredibiliza o Brasil.  

A razão de aquela reunião camicase ter toda essa importância, nem é por ter o condão de afastar investidores e, sim, por Bolsonaro não ter levado a iniciativa ao comando de sua campanha à reeleição. E não o fez porque sabia que ela seria rejeitada pelos seus estrategistas eleitorais.  

Bolsonaro está muito atrás de Lula nas pesquisas. Mesmo nas pesquisas de baixa integridade científico-estatística, como as pesquisas por telefone,  claramente adulteradas por institutos fajutos e conhecidos por errar muito, Lula segue à frente de Bolsonaro, ainda que com menor distância.  

Então, por que o presidente não se esforça para tentar diminuir sua rejeição, contentando-se com o seu cercadinho estatístico de 30%? 

Não há lógica na estratégia de Bolsonaro. Por isso, todo dia saem notícias na mídia que dão conta de que ele despreza os conselhos de seus estrategistas eleitorais.  

Ele sabe que suas bondades eleitorais e os fanáticos que o apoiam não serão suficientes para reelegê-lo, mas quer manter os apoios que tem para simular força eleitoral que não tem.  

Bolsonaro aposta exclusivamente no questionamento da eleição e, concomitantemente, no seu adiamento. Porque, no cenário que irá de hoje até 2 de outubro, não haverá mudança de rota. E a explicação está em uma das  muitas matérias sobre a situação social dramática em que vive a maioria esmagadora dos brasileiros.  

Todo dia também é noticiado o surto de fome, pobreza, miséria e desigualdade que nos aflige; todo dia somos informados de quanto os salários caíram no país com a famigerada reforma trabalhista e o teto de gastos. 

No dia em que escrevo, graças  ao recém-divulgado "Boletim Desigualdade nas Metrópoles" ficamos sabendo que, com o corte do auxílio emergencial, a disparada da inflação e a retomada insuficiente do mercado de trabalho, o número de pessoas em situação de pobreza  saltou para 19,8 milhões nas metrópoles brasileiras em 2021. 

Os salários, atualmente, são inferiores aos que eram pagos dez anos atrás; a inflação corrói os auxílios; a desigualdade cresce sem parar; a economia não deslancha.  

Não há como o Brasil melhorar com o trabalhador impossibilitado de consumir. O desalentador 1/3 dos brasileiros favorecido pela concentração de renda, não tem o poder de alavancar a atividade econômica.  

Pesquisas de opinião sucessivas também mostram que a quase totalidade do eleitorado já decidiu em quem vai votar. E que a única dúvida que resta reside nos eleitores de Ciro Gomes, que, na proporção de quase 7 a cada 10 sufragistas, cogita não votar nele, tendo a maior parte inclinação por Lula.  

Lula já ganhou. O eleitor brasileiro, em grande maioria esmagado pela governança genocida da extrema-direita, não quer saber de experimentalismos -- já basta o experimentalismo com Bolsonaro, que deu no que deu. O eleitor quer um presidente que saiba o que fará se ele for eleito.  

Ou seja, o eleitor quer Lula, que saiu maior do seu governo de oito anos do que entrou (87% de aprovação em 2010).

Então, por que a conjunção adversativa no título deste artigo? Porque Lula já ganhou, mas ninguém pode afirmar, com certeza, que vai levar. Apesar de o golpe militar ter ficado mais longe do alcance das garras de Bolsonaro, ainda lhe resta a estratégia de adiar a eleição.  

Está muito claro que ele incentiva a violência de seus apoiadores em busca de uma reação à altura da esquerda que crie uma situação propícia à decretação de "estado de sítio" no país, o que, fatalmente, impediria a realização do pleito.  

É simples assim.

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