Lula sobe, Bolsonaro desce

"A essa altura, a disputa se trava entre Lula e Bolsonaro, e não é em torno de ideias. Já se sabe que Bolsonaro abomina minorias, como gays; despreza mulheres; quer a volta da ditadura e da tortura; quer vender o Brasil", enumera o jornalista Alex Solnik, destacando que hoje "os brasileiros já sabem que Bolsonaro é uma ameaça e Lula, a esperança"; "Por isso, Lula sobe e Bolsonaro desce", conclui

Lula sobe, Bolsonaro desce
Lula sobe, Bolsonaro desce

Numa corrida de Fórmula 1, depois de um certo número de voltas percorridas formam-se dois pelotões: um à frente e o outro bem distante, lá atrás. Praticamente sem chances de vencer. A não ser que um carro do pelotão da frente quebre ou sofra um acidente. Está ocorrendo algo parecido com a corrida presidencial. As duas pesquisas mais recentes, CNT/MDA e Ibope já mostram essa tendência. Lula e Bolsonaro estão muitas voltas à frente do bloco que reúne Marina, Ciro e Alckmin, todos abaixo de 6%. No bloco da frente, a distância entre Lula (37,3%) e Bolsonaro (17,7%) também é muito grande. E tende a aumentar. Isso porque é muito difícil tirar votos de Lula.

Normalmente derruba-se um adversário batendo nele. Mostrando seus pontos fracos. Seus fracassos. Suas mazelas. O problema é que não há como bater em Lula. Dizer o que? Que ele recebeu um tríplex? Mas esse processo é contestado pela comunidade jurídica. Está sub-judice. Que ele deveria ser preso? Já está. Dizer que ele é criminoso? Não colou nele o figurino de vilão. Lula é o mocinho; vilão é o Bolsonaro. Bater num preso, vítima de injustiça – ideia que se cristaliza no eleitorado – é tiro no pé. Tira voto de quem ataca.

Lula tem ainda um enorme tempo de televisão – o segundo maior – para convencer o eleitor de que sabe como tirar o país da crise. E só ele pode dizer com firmeza que conhece o caminho das pedras porque já fez antes. E fez coisas em razão das quais os brasileiros querem que ele volte, preso ou solto.

Desesperado por não conseguir alcançá-lo e temendo que ele se distancie ainda mais, Bolsonaro já esboça ataques a Lula. Mas é inútil. Ele não tira voto de Lula. Não tem moral para fazer o eleitor de Lula desistir de votar em Lula. Não tem nada de tempo na TV. Além disso, será alvo de ataques de Alckmin – o maior tempo de TV - cuja única chance de crescer é avançar no eleitorado de Bolsonaro.

O outro problema de Bolsonaro é que Lula tem apenas um adversário na esquerda em condições de tirar votos dele – Ciro - que não decola e tende a cair ainda mais por não ter tempo no horário eleitoral (24 segundos). Ao cair, seus votos irão para Lula que, dessa forma, vai ganhar fôlego para vencer no primeiro turno.

Bolsonaro tem muito mais adversários na direita que Lula na esquerda: Alckmin, Marina, Meirelles e Álvaro Dias. Alckmin e Meirelles têm um latifúndio no horário gratuito e só podem crescer em cima de Bolsonaro. Não irão poupá-lo se quiserem chegar a 7 de outubro com cacife.

A essa altura, a disputa se trava entre Lula e Bolsonaro, e não é em torno de ideias. Já se sabe que Bolsonaro abomina minorias, como gays; despreza mulheres; quer a volta da ditadura e da tortura; quer vender o Brasil; quer resolver no grito; quer trocar diretores de escolas públicas por militares; quer que as pessoas se defendam com suas próprias armas; quer transformar o Brasil num quartel e não sabe lhufas de economia, que pretende entregar a um banqueiro e economista que colaborou com a ditadura Pinochet, no Chile.

Os brasileiros já sabem que Bolsonaro é uma ameaça e Lula, a esperança.

Por isso, Lula sobe e Bolsonaro desce.

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