Lula vai até o fim. Mas quando é o fim?

"Nessa história de que Lula 'vai até o fim' se imaginava que o deadline seria a 17 de setembro, data depois da qual os partidos não podem mais trocar candidatos", diz o colunista Alex Solnik; "Mas eis que o advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, doutor em Direito, diga-se, lança a tese de que Lula pode ir além. E disse mais: que pode ir além mesmo se sua candidatura for impugnada", afirma; "Se decidir que ir "até o fim" é ir até 17 de setembro poderá, ainda que desistindo, mostrar sua força eleitoral elegendo, pela terceira vez, o candidato que indicar"

Lula vai até o fim. Mas quando é o fim?
Lula vai até o fim. Mas quando é o fim? (Foto: Stuckert)

Nessa história de que Lula "vai até o fim" se imaginava que o deadline seria a 17 de setembro, data depois da qual os partidos não podem mais trocar candidatos.

Mas eis que o advogado Luiz Fernando Casagrande Pereira, doutor em Direito, diga-se, lança a tese de que Lula pode ir além. E disse mais: que pode ir além mesmo se sua candidatura for impugnada.

No que o advogado se baseia? Em dois casos, de dois prefeitos.

Nas eleições de 2016 ambos estavam condenados em segunda instância por irregularidades em licitações, cada qual em sua cidade.

A candidatura do prefeito de Divinópolis, Galileu Teixeira Machado (MDB) foi impugnada, mas seu nome apareceu na urna eletrônica, ele foi eleito, seus votos foram invalidados, e ainda assim ele conseguiu reverter a situação, tomou posse e continua no poder.

No outro caso, Cláudio Linhares (MDB), conseguiu liminar para concorrer, ganhar, ser eleito e empossado porque o juiz entendeu que haveria muita possibilidade de sua sentença ser revertida nas instâncias superiores.

A tese é atraente, mas embute muitos riscos. Na atual conjuntura jurídica, estamos cansados de ver que, cada vez mais, cada cabeça de juiz, uma sentença. Não dá para garantir, ninguém pode garantir que o que valeu para Galileu e Claudio Linhares vai valer para Lula.

Também ninguém garante que os casos dos prefeitos serão considerados precedentes. Isso fica a critério do juiz. A juíza Carolina Lebbos, por exemplo não considerou precedente entrevistas feitas com outros presos e proibiu entrevistas com Lula.

Há de se considerar, também, que os casos dos prefeitos puderam tramitar longe de qualquer repercussão nacional e livres, portanto, de pressões que, no caso de Lula, serão insuportáveis. Aqueles casos eram municipais; Lula é um caso internacional.

Se acolher a tese de Casagrande Pereira, e disputar até mesmo se sua inelegibilidade for decretada, Lula poderá se dar bem ou se dar mal, a depender dos juízes que o julgarem. E, se não tiver êxito, ele e o PT vão perder tudo.

Se decidir que ir "até o fim" é ir até 17 de setembro poderá, ainda que desistindo, mostrar sua força eleitoral elegendo, pela terceira vez, o candidato que indicar.

E, dessa vez, de dentro da prisão.

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