Maia e Renan são o cadafalso do bolsonarismo

O editor e colunista do 247 Gustavo Conde afirma que a eleição para presidência da Câmara e do Senado serão testes de fogo para o bolsonarismo; ele diz: "Renan Calheiros e Rodrigo Maia parecem se sentir os próprios futuros presidentes da república. Eles acreditam que são os salvadores da pátria, que vão conduzir suavemente o país com um discurso de conciliação diante da monstruosidade bolsonarista (impregnada de déficits severos de proficiência política)"

Maia e Renan são o cadafalso do bolsonarismo
Maia e Renan são o cadafalso do bolsonarismo

Renan Calheiros e Rodrigo Maia parecem se sentir os próprios futuros presidentes da república. Eles acreditam que são os salvadores da pátria, que vão conduzir suavemente o país com um discurso de conciliação diante da monstruosidade bolsonarista (impregnada de déficits severos de proficiência política).

A expressão dos dois não nega. Há um leve e delicado sentimento de prepotência e oportunismo no ar, furiosamente recuperado em função daquilo que os assombra: um segmento fascista ‘militarizado’ em pleno Congresso.

Os dois sabem que se trata e de uma oportunidade única. O bolsonarismo é uma aberração tão grande que sua sucessão já é evidentemente discutida a quatro conspiratórias paredes.

Só que, para variar, existe uma entidade transcendental que costuma rondar as soberbas políticas: o Imponderável de Souza (primo do Inacreditável de Almeida). Ambos, de ascendência russa – daí a expressão "é preciso combinar com os russos".

Desculpas à parte ao glorioso Mané Garrincha (pela brincadeira de mau gosto), o Congresso costuma surpreender quando o senso de oportunidade individual toca a sinetinha da vaidade.

A pistolagem bolsonarista em conceder cargos e nomear funções na base da amizade pessoal – como o Major Vitor Hugo que, acreditem, será líder do governo na Câmara em uma manifestação presidencial apontada como “dívida de gratidão do passado”– desfila soberana e desinibida como cavalos do Exército em 7 de setembro e seu imenso rastro de estrume pela avenida.

Nem viceja mais consagrar o sintagma ‘temer-bolsonarismo’ para fins didáticos de compreensão elementar da política de quinta categoria do presente. A despeito de ser uma infame criatura decorativa, Temer conhecia os meandros do Congresso – e a respectiva psicologia de seus parlamentares.

Como bem definiu a escritora Hélène Bruller, a autora da obra que o nosso presidente da República chama de ‘kit gay’ (o livro se chama originalmente ‘Aparelho Sexual e Cia’), Bolsonaro é uma criança que pede socorro temendo o adulto repulsivo que se apoderou de seu corpo. É só codificar corretamente suas fobias transversas e medos evidentes.

Uma criança mimada e com medo não tem condições de construir consensos em um Congresso igualmente birrento e autossuficiente. A química entre Bolsonaro e Casas Legislativas promete ser um misto de nitroglicerina, pólvora e pavio curto – a la coronelismo ciriano.

O bolsonarismo, a rigor, se encaminha para o cadafalso político - que é o Congresso em funcionamento. Aquela legião de amadores deslumbrados do PSL - amadores, porque são governo, não porque são políticos - tende a fazer a alegria dos humoristas em 2019 (pela profunda proficiência em produzir autodeboche).

Mas também ampliarão a janela de oportunidades políticas em um Congresso que gosta mais de si do que de todo e qualquer executivo.

Renan e Maia sabem disso. Eles estão apenas esperando.

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