Mais que passado, é um caminho

Há um sem número de políticas criadas pelo PT, em todas as áreas, desde a infraestrutura ao lazer, passando pela educação, saúde, habitação, transporte, esporte, cultura, cujos resultados são fortes argumentos para a retomada do caminho interrompido por mas um golpe aplicado pela classe dominante, em 2016. Não é apenas um passado, mas um positivo legado a ser retomado

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Segundo um dito popular, quem vive de passado é museu. Entre outras definições, até muito mais bem apontadas que esta, ele é o repositório da histórica saga da cultura humana, que guarda e a realimenta com uma vasta fonte da materialidade dos avanços sociais, econômicos, tecnológicos, culturais e civilizatórios. De fato, não se vive de algum passado que não produziu a estrutura para a construção de uma futura sociedade mais justa e fraterna. Nesse sentido, o passado é fundamental para nortear os caminhos que uma sociedade segue, ou não, e que determinam o seu tipo desenvolvimento. Desde que o homem acumulou cultura para ficar de pé, toda a história é feita de ações políticas, que é uma condição humana, tão natural quanto a da abelha de produzir mel.

O fazer político é a construção de caminhos, pontes e, também, de muros. Durante mais de 500 anos, a orientação política do Brasil esteve, invariavelmente, nas mãos da classe dominante, uma das mais truculentas e cruéis do mundo. Durante a Monarquia, foi cometido o maior crime de lesa-humanidade da nossa história, perpetuado até hoje, a escravidão. Já a instalação da República foi um golpe armado e executado pelo latifúndio, com pronto apoio de militares completamente dissociados do Brasil. O caminho determinado pelos donos das políticas sempre foi de concentração de renda, poder nas mãos de uma ínfima minoria e o desprezo pelas riquezas naturais e pela capacidade de o brasileiro desenvolver tecnologia. A classe dominante brasileira ao mesmo tempo em que sofre de um viralatismo único no mundo, despreza tudo que se relacione com o Brasil.

Getúlio Vargas foi ferozmente atacado pelo jornalista da classe dominante, Carlos Lacerda, porque teve a ousadia de defender um Brasil industrializado para os brasileiros. João Goulart, que assumiria no lugar de Jânio Quadros, foi perseguido pelos militares, a mando dos EUA, porque havia prometido executar reformas agrária e urbana e aumentar o acesso da classe trabalhadora à distribuição de riquezas. Foi golpeado por um consórcio entre civis milionários e militares. Depois de 21 anos de ditadura, Lula foi escancaradamente roubado nas eleições, de 1989, quando foi eleito o Bolsonaro da época, Fernando Collor. Tanto militares quanto Collor executaram a política encaminhada pelo Fundo Monetário Internacional, mantendo o Brasil refém dos refinanciamento de dívidas que foram feitas sem necessidade alguma para o País, mas de grande vantagem para os credores do mercado financeiro.

Recentemente, dois momentos revelaram com nitidez a relação que os endinheirados tem com as instituições de governo e com o patrimônio brasileiro. Durante uma reunião por teleconferência, para tratar de um assunto temerário, a volta ao trabalho, em que participavam Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e vários empresários ligados à FIESP, um dos milionários apareceu na reunião, nu, debaixo do chuveiro. Outra, foi a declaração de Guedes durante a reveladora reunião do dia 22: “tem que vender logo a porra do Banco do Brasil”. Numa reunião para tratar de um terrível momento, um empresário que se sente muito maior que o Brasil, resolve que muito engraçado participar tomando banho. Em meio à uma pandemia mundial, quando a economia do planeta está à beira de um colapso, o economista dos banqueiros quer entregar, a preço vil, esse inestimável patrimônio de todos os brasileiros, que tanto contribui para o desenvolvimento do País e que será vital para ajudar a tirar o Brasil da crise pós pandemia.

Desta forma, para além da guerra de versões, esse foi o caminho em que o Brasil seguiu, por mais de 500 anos. Durante os 13 anos dos governos do PT, apesar de todos os equívocos cometidos, o caminho aberto pelas políticas dos governos Lula e Dilma foi o de conduzir o País a uma condição de nação menos desigual. Foi o período histórico do Brasil em que os pobres puderam melhorar de vida. Foi quando passamos da 16ª para a 6ª economia mundial. Foi quando este País construiu cargueiro aéreo, acelerador de partículas, submarino nuclear e, a sua principal empresa, recebeu o maior prêmio que uma petroleira pode receber por desenvolvimento de tecnologia. A transposição do Rio São Francisco, cujo projeto inicial vem da Monarquia, e o Programa Minha Casa Minha Vida são um avanços civilizatórios. A transposição vai fornecer água perene a mais de 12 milhões de brasileiros, que há séculos convivem com a falta d’água. O semiárido jamais será o mesmo, tamanho o leque de oportunidades que se abrem com essa nova condição. A posse de um imóvel para mais de quatro milhões de famílias, ainda que modesto, é a mais expressiva política de transferência de riqueza da história do Brasil.

Portanto, defender as políticas exitosas do PT, não é ficar preso num passado sem efeitos. Pelo contrário, entre 2003 e 2016, foram construídos caminhos nunca antes trilhados na história do Brasil, que demonstraram, inequivocamente, que é inserindo a classe trabalhadora no acesso aos bens que ela produz, que é possível construir neste rico País, uma sociedade menos desigual, onde o discurso da meritocracia não seja uma escandalosa e covarde mentira, que culpa os pobres por uma condição criada pela distribuição de renda e de riqueza que é referência mundial em desigualdade. Há um sem número de políticas criadas pelo PT, em todas as áreas, desde a infraestrutura ao lazer, passando pela educação, saúde, habitação, transporte, esporte, cultura, cujos resultados são fortes argumentos para a retomada do caminho interrompido por mas um golpe aplicado pela classe dominante, em 2016. Não é apenas um passado, mas um positivo legado a ser retomado.

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