Mais um crime defendido por Bolsonaro. Agora é o trabalho infantil

A última do presidente da República é sempre mais escandalosa que a anterior. Isto já virou rotina. A da hora foi o pronunciamento do Messias sobre o trabalho infantil, segundo ele, algo que não faz mal a ninguém", diz Gilvandro Filho, do Jornalistas pela Democracia; 'Ou se pintou uma crise muito grande, como é o atual escândalo envolvendo o ministro da Justiça e arquiteto da Operação Lava Jato, o ex-juiz Sérgio Moro, alguém deve pitacar: “vai lá, presidente! Bota pra quebrar! Trabalho infantil é um bom mote, vai dar samba!”' , diz; "É caso pensado, só pode", enfatiza

(Foto: ABr)

Gilvandro Filho, para o Jornalistas pela Democracia - A última do presidente da República é sempre mais escandalosa que a anterior. Isto já virou rotina. A da hora foi o pronunciamento do Messias sobre o trabalho infantil, segundo ele, algo que não faz mal a ninguém. Até ele, imaginem, já foi um feliz e pimpão menino trabalhador em uma fazenda lá nos cafundós de Judas. “Não atrapalha”, vaticinou o serelepe mandatário, nem aí para o número de crianças a adolescentes que se esfolam em funções certamente menos divertidas do que as que ele se metia.

A frase lapidar: "Trabalho não atrapalha a vida de ninguém. Fiquem tranquilos que eu não vou apresentar nenhum projeto aqui para descriminalizar o trabalho infantil porque eu seria massacrado. Mas quero dizer que eu, meu irmão mais velho, uma irmã minha também, um pouco mais nova, com essa idade, oito, nove, dez, doze anos, trabalhávamos na fazenda. Trabalho duro".

Jair Bolsonaro, alguém já disse, deve ter uma equipe que lhe orienta a soltar teses estapafúrdias sempre o momento requer uma cortina de fumaça. Aquele “gabinete de crise” informal e do mal, tocado por um marketing solerte que cria absurdos para maquiar situações que, se sabe de antemão, vão demandar repercussões negativas e, com toda certeza, prejuízos políticos ou danos graves ao povo e ao trabalhador. Tem sido uma praxe nesses início de governo que poderia ser o fim.

Está difícil aprovar novas broncas trabalhistas ou, pior, a reforma que vai impedir a aposentadoria de milhões de brasileiros? Chama o chanceler fake Ernesto Araújo para mais uma declaração insana sobre a América Latina, Cuba ou Venezuela. Bota ele na vitrine e tira o foco de Paulo Guedes, junto promete uma grana bacana à claudicante base aliada e pronto, está tudo bem. Ninguém vai nem notar...

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Ou se pintou uma crise muito grande, como é o atual escândalo envolvendo o ministro da Justiça e arquiteto da Operação Lava Jato, o ex-juiz Sérgio Moro, alguém deve pitacar: “vai lá, presidente! Bota pra quebrar! Trabalho infantil é um bom mote, vai dar samba!” E ele encaixa uma barbaridade que logo vira manchete e domina a opinião pública indignada. É caso pensado, só pode.

Somente uma ação planejada e muito bem pensada para justificar a sazonal entrada em cena de tolices de amplo espectro midiático, justamente na hora do “vamos ver”. Em um governo que tenta multiplicar o número de armas de fogo em circulação, que não fiscaliza danos ambientais possivelmente irrecuperáveis ou fecha os olhos para a ação deletéria de amigos vinculados a milícias, defender um crime como o trabalho infantil, vetado pela Constituição de 1988 e pelo Código Penal Brasileiro (Lei 10.803, de 11/12/2003), é fichinha.

Em 2002, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) criou o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, no dia 12 de junho, tendo como meta reduzir o número alarmante de 160 milhões de crianças trabalhando, em todo o planeta, quando deveriam estar estudando ou brincando. No Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2016, são 2,7 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que trabalham irregularmente.

Isso não é brincadeira. Nem deveria ser tratado de forma tão leviana por um gestor público com um mínimo de responsabilidade. Muito menos deveria ser de mote de bravata de um presidente da Repúblico. Mesmo sendo este presidente alguém desqualificado, irresponsável e inconsequente como é o caso do atual presidente do Brasil.

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