Mandetta ganhou primeiro round

"Há dois governos em Brasilia: o do Bolsonaro e o de Mandetta. Em vez de capitalizar para si a popularidade do ministro, e aumentar seu capital político, Bolsonaro faz o movimento oposto, desmoraliza Mandetta, o que piora o seu ibope e o isola ainda mais", escreve Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

(Foto: Isac Nbrega/PR)
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Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

O sinal mais perceptível de que a casa do ministro Luiz Henrique Mandetta estava caindo foi o movimento de seus subalternos, que se lançaram a esvaziar gavetas, inclusive a dele, chamando a atenção de repórteres, ontem por volta das 5 da tarde. 

O clima já estava para Mandetta cair: naquela manhã, o ex-ministro Osmar Terra publicou artigo na seção Tendências e Debates da Folha de S. Paulo  e havia almoçado com Bolsonaro e circulavam rumores de que o filho Eduardo indicara a dra. Nise Yamaguchi para o lugar dele. 

A notícia, assim que foi publicada na edição digital de "O Globo" - "Bolsonaro decide demitir Mandetta ainda hoje" -  provocou um terremoto nas redes sociais, derrubou a Bolsa, elevou o dólar, colocou em ação o presidente do Senado, Davi Alcolumbre que de imediato avisou seu correligionário e também ministro, Onyx Lorenzoni que a demissão não seria aceitável, movimentou os quatro generais do Planalto e até um panelaço fora de hora a favor de Mandetta ecoou nas capitais. 

Logo a seguir a notícia foi desmentida pela edição digital da revista Veja que atribuiu a permanência do ministro a pressão dos generais do Planalto.

Essas notícias foram publicadas durante a reunião ministerial, da qual Mandetta participava.  

Desde que a treta Bolsonaro X Mandetta estourou, surgiu um fenômeno interessante: até mesmo opositores do governo Bolsonaro, até mesmo esquerdistas, até mesmo petistas passaram a defender Mandetta com unhas e dentes e o tratam como se ele não pertencesse ao governo, no que provavelmente estão certos. 

Há dois governos em Brasilia: o do Bolsonaro e o de Mandetta. Em vez de capitalizar para si a popularidade do ministro, e aumentar seu capital político, Bolsonaro faz o movimento oposto, desmoraliza Mandetta, o que piora o seu ibope e o isola ainda mais.

Apesar de Mandetta ter ganho o primeiro round e Bolsonaro ter ficado mais fraco - "o príncipe" se enfraquece ao recuar da sua palavra, ensina Maquiavel - nada indica que eles fumaram o cachimbo da paz nem que Bolsonaro desistiu de impor suas próprias ideias acerca do combate ao coronavírus, o que é típico de tiranos ignorantes.  

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