Mandetta já deitou na frigideira, falta ligar o fogo

"Se o presidente estivesse mesmo com essa bola toda que finge ter, se estivesse mesmo no controle da situação, já teria ligado o fogo. Mas ele só colocou o ministro na frigideira", escreve o jornalista Alex Solnik

Luiz Henrique Mandetta e Jair Bolsonaro
Luiz Henrique Mandetta e Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia 

Dá impressão que o que Bolsonaro mais gosta de fazer na vida, além de aterrorizar pessoas e criar inimigos é demitir a torto e a direito e quanto mais alto o cargo do demitido, melhor.

Pode ser trauma por ter sido chutado para fora do Exército, onde era chamado de “Cavalão”, ainda no início da carreira militar, mas essa questão cabe aos psicanalistas, não a mim.

Pode ser, também, uma tentativa de macaquear seu maior ídolo, Donald Trump, que passou anos repetindo o jargão “você está demitido”! no insuportável e tenebroso programa “O Aprendiz”.

O alvo da vez é Luiz Henrique Mandetta.

O prato mais pedido atualmente no delivery do restaurante do Palácio do Planalto é “Fritura de Mandetta à moda da casa”.

A frase de Bolsonaro à rádio Jovem Pan - que não ia demitir o ministro “agora” – pode ser traduzida por: “vou demitir, mas não vou demitir agora”. Ou seja: Mandetta estará fora, mais cedo ou mais tarde. Um recado direto: demita-se já se não quiser ser demitido mais pra frente.

E o Mandetta, com aquela expressão de coroinha cansado, assimilou o coice com muita resiliência, e concordou, portanto, em se deitar na frigideira do Planalto.

Se o presidente estivesse mesmo com essa bola toda que finge ter, se estivesse mesmo no controle da situação, já teria ligado o fogo. Mas ele só colocou o ministro na frigideira.  

Bolsonaro também não tem votos nem no Congresso nem no STF para aprovar seu decreto anti-quarentena, a sua mais recente ameaça; mas, em compensação, nem o STF nem o Congresso têm instrumentos para obrigá-lo a abrir os cofres da União e garantir a continuação do fechamento do país, como querem os governadores.

Nessas horas vale a pena olhar para o que acontece na Rússia: Putin fechou o país por 30 dias, quarentena total até o final de abril, mas proibiu demissões e diminuição de salários.

Fez a coisa certa.

O conhecimento liberta. Saiba mais. Siga-nos no Telegram.

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

WhatsApp Facebook Twitter Email