Marisa morreu... Façam vossas festas!

Celebrem, faças vossas festas! Vocês não estão errados e tem toda a razão para celebrar! É que Marisa de fato, era e continua sendo força, raça e gana e sem suas mãos costureiras, seus olhos atentos, sua delicadeza e tudo isso combinado os trabalhadores não teriam incomodado tanto os poderosos desse país continental

lula marisa
lula marisa (Foto: Ângelo Cavalcante)

"Quando eu soltar a minha voz, por favor, entenda que palavra por palavra, eis aqui uma pessoa se entregando; coração na boca, peito aberto, vou sangrando... São as lutas dessa nossa vida que eu estou cantando".

(Luís Gonzaga do Nascimento Júnior; o "Gonzaguinha")

Ela morreu; brava e teimosa resistiu o que pôde aos rigores avassaladores de um vigoroso e cruel acidente vascular. Marisa terminou, docemente descansa e já não estará mais conosco. É agora apenas um corpo; um corpo inerte; corpo de mulher, de mãe, de companheira, de militante, de ação política; mas é também o corpo de uma criança, de linda e eterna criança. Marisa se foi e vocês, "cidadãos e cidadãs de bem" devem celebrar; façam vossas festas.

Aquelas "doces e meigas" senhoras que se postaram na frente do hospital em que Marisa estava hospitalizada: celebrem! A morte chegou! Vocês que erguiam faixas e cartazes; que cantarolavam vossos hinos, de certo, conclamando algum demônio asqueroso dos profundos do inferno, façam vossas festas e celebrações porque ela, morreu!

Por dias, suportou brava e dignamente as dores terríveis de sua doença e por fim, não resistiu. Está morta e agora é parte luminar, inspiradora e indispensável da própria história do povo brasileiro.

Discreta e sempre fazendo acontecer; silenciosa e com milhões de sons e vozes em seus ouvidos; Marisa morreu mas deu vida para sonhos, lutas, utopias e que não irão, isto sim, parar jamais. É parte definitiva, vibrante e eterna da mais importante saga dos trabalhadores do Brasil.

Celebrem, faças vossas festas! Vocês não estão errados e tem toda a razão para celebrar! É que Marisa de fato, era e continua sendo força, raça e gana e sem suas mãos costureiras, seus olhos atentos, sua delicadeza e tudo isso combinado os trabalhadores não teriam incomodado tanto os poderosos desse país continental.

Mas entendam que, Marisa não estava simplesmente estendida sobre uma cama de hospital onde passivamente recebia tratamentos; havia ali uma enorme guerra; uma dura e dramática guerra; uma peleja sangrenta e impenitente entre Marisa e mil dragões que lhe faziam tremer; feras que avançavam sobre seu corpo; seu sangue, suas veias, seus músculos e nervos. Uma luta tremendamente desigual e injusta onde esta linda rainha não tremeu, titubeou ou fraquejou. Esses dias foram dias de resistência e de dura guerra!

Celebrem sim... Façam suas festas! Mas estejam seguros de que a luz permanece; o exemplo de Marisa está entre nós, nos inspirando, fortalecendo e animando e este sacrifício, posto que Marisa fora sacrificada pelo pior da política que este país perverso já inventou, nos resulta em força.

Celebrem, façam vossas festas! Mais do que nunca estamos em lados opostos e... A história segue!

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