Matar ou morrer

"Bolsonaro deve achar que Moro faz corpo mole de propósito, com a intenção de desgastá-lo e, no limite, tirá-lo da presidência e assim deixar o caminho livre para chegar à presidência da República em 2022", afirma Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia. "É matar ou morrer"

Jair Bolsonaro e Sérgio Moro
Jair Bolsonaro e Sérgio Moro (Foto: Carolina Antunes/PR)

Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

Por que Bolsonaro decidiu arriscar-se a perder um de seus dois principais ministros, Sérgio Moro, ao ameaçar tirar metade do seu poder, dividindo seu superministério em duas partes?

Não é de hoje que o presidente se queixa de que Moro não controla as investigações acerca de seu filho Flávio Bolsonaro, deixando-as correrem soltas, nem ficou satisfeito com as revelações do porteiro de seu condomínio que o envolveu no assassinato de Marielle Franco.

Paranoico como é, Bolsonaro deve achar que Moro faz corpo mole de propósito, com a intenção de desgastá-lo e, no limite, tirá-lo da presidência e assim deixar o caminho livre para chegar à presidência da República em 2022.

Tanto uma investigação quanto a outra têm potencial para provocar um processo de impeachment: no caso de Flávio tem aquele cheque de R$20 mil à primeira-dama, até hoje envolto em mistério e, no caso do porteiro, colocou-o no centro de um atentado político de repercussão internacional.

Bolsonaro deve ter avaliado que é melhor perder o ministro mais popular de seu governo do que perder o governo.

É matar ou morrer.

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