Melhor segurando a taça

Até os mais fanáticos por política, especialmente os que se opõem ao governo, vão correr para a frente do televisor quando a bola começar a rolar. E deixar para bater no governo depois que a Copa terminar

Quase todos os governantes têm solução para todos os problemas do país depois que deixam o poder. É o caso, por exemplo, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, volta e meia, deita falação ou publica artigos criticando os governos do PT e alardeando as excelências (??) do seu governo, além de afirmar, semcerimoniosamente, que o seu partido, o PSDB, tem a fórmula para "salvar" o país. Das duas, uma: ou ele pensa que o brasileiro é besta e tem memória curta ou, então, perdeu o juízo, sobretudo quando diz que "está na hora de pôr ordem na casa e o governo nas mãos de quem sabe governar". Até parece que ele soube governar nos oito anos em que ocupou o Palácio do Planalto, de onde saiu deixando o país nas mãos do FMI, com a dívida externa quintuplicada e com os mais baixos índices de aprovação popular.

A cara de pau de FHC é tão grande que ele chegou a dizer, em artigo publicado neste domingo em vários jornais, que "fizemos a estabilização da moeda, controlamos gastos do governo e, ao mesmo tempo, aumentamos o salário mínimo, realizamos a reforma agrária, universalizamos o ensino fundamental, fortalecemos o SUS e introduzimos programas de combate à pobreza". Ele certamente estava se referindo ao governo de Itamar Franco, quanto à estabilização da moeda, e ao governo Lula, no que diz respeito aos aumentos do salário mínimo e aos programas de combate à pobreza. Quanto à reforma agrária, todos sabemos que nenhum governo conseguiu até hoje implementá-la. Será que FHC acredita que ainda exista alguém que dê crédito a essa falácia?

Contido, talvez, pelo bom senso que ainda lhe resta, o ex-presidente evitou fazer críticas à realização da Copa, não embarcando nessa canoa furada em que um grupo de alienados navega, imaginando estar prestando um serviço ao país. Entre estes, lamentavelmente está o poeta maranhense Ferreira Gullar que, aparentemente senil, não se limitou a criticar o evento mas, também, a incentivar as manifestações, inclusive com a participação dos violentos black blocs, torcendo para que se estabeleça o caos durante os jogos. Esse grupo de mascarados, aliás, que procura imitar os manifestantes da Europa em todos os seus movimentos, incluindo o uso de máscaras – verdadeiros macaquitos – já estaria, segundo reportagem de "O Estado de São Paulo", se preparando para promover a baderna no período da Copa, desta vez com a ajuda do PCC, o que, obviamente, o transforma também numa organização criminosa.

O governo, portanto, deve estar atento para reprimir esse grupo criminoso, tratando-o como ele realmente merece: como bandido. Até porque gente de bem não usa máscaras para reivindicar seus direitos e nem promove quebra-quebra. Esses "valentes" mascarados, que lutam bravamente com orelhões, semáforos, lixeiras e vidraças – e depois de presos se revelam anjinhos mimados chamando pelos pais para tirá-los da cadeia – na verdade não possuem nenhuma bandeira, objetivando única e exclusivamente a baderna. E por mais incrível que possa parecer possuem admiradores como Caetano Veloso e o autor do "Poema Sujo". As forças de segurança que, segundo autoridades, estão preparadas para garantir a ordem durante a Copa, devem agir com rigor, usando os recursos de que dispõem para assegurar o direito dos brasileiros que querem assistir aos jogos com tranquilidade. E que são a esmagadora maioria.

Embora pesquisas indiquem que o brasileiro estaria "frio" em relação à Copa, por falta de bandeiras nas janelas ou a ausência de torcedores usando a camisa da Seleção Brasileira, na verdade é a partir de agora, a poucos dias da abertura dos jogos – quando a equipe realiza duas partidas amistosas – que o povo entrará efetivamente no clima da competição, confiante na conquista do título. O elevado movimento de torcedores nos treinos da Seleção e o recorde na venda de ingressos são bem um retrato do ânimo dos brasileiros para o evento. Somente quem dá crédito e se deixa influenciar por postagens que circulam na Internet, contaminadas por paixões políticas, e não observa o que acontece à sua volta pode imaginar que o povo, que é fanático por futebol, estaria indiferente à Copa, sobretudo quando ela acontece em nosso país.

É preciso, de uma vez por todas, por termo a essa campanha imbecil contra a realização da Copa, misturando o evento com paixões políticas. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O fato de aprovar a realização da competição ou de assistir aos jogos não implica em nenhuma declaração de voto a favor ou contra ninguém. A verdade é que, mesmo aqueles que hoje criticam a realização do torneio mundial no Brasil – e que compartilham postagens nas redes sociais ou participam de manifestações – estarão torcendo quando a Seleção Canarinha entrar em campo e gritando quando ela marcar os primeiros gols. Até os mais fanáticos por política, especialmente os que se opõem ao governo, vão correr para a frente do televisor quando a bola começar a rolar. E deixar para bater no governo depois que a Copa terminar. De preferência segurando a taça.

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