Militares mostram suas faces

Militares, vocês já mostraram as suas faces (inclusive a de negacionista!), voltem aos quartéis e não saiam nunca mais!

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Gostaria de começar este texto destacando a frase verbalizada pelo general Santos Cruz sobre o envolvimento de militares no esquema de superfaturamento das vacinas. Disse ele: “não há banda podre nas Forças Armadas”. Santos Cruz é um general que rompeu com o bolsonarismo depois de ter sido exonerado da Secretaria de Governo da Presidência da República.

Queria também sublinhar que apesar do general Eduardo Pazuello ter cometido uma transgressão disciplinar, uma vez que participou de um ato político ao lado de Jair Bolsonaro (inclusive discursando em cima de um carro de som) o que é proibido pelo Estatuto das Forças Armadas, ele não foi punido, o Exército arquivou o caso e ainda decretou um sigilo de 100 anos sobre tal documento. 

Não custa também negritar que o comandante da Aeronáutica, Tenente-brigadeiro do ar Carlos Júnior, incomodou-se com o avanço das investigações da CPI sobre os militares, dizendo que “não permitirá acusações contra militares”. Completou esbravejando que “homem armado não ameaça”. Já o comandante da Marinha, almirante de Esquadra Almir Garnier Santos, veio a público para endossar o que Carlos Júnior havia dito e ainda afirmou em alto e bom tom: “nos momentos de festa ou de dor, os militares estarão sempre unidos, em prol do povo brasileiro. Espírito de corpo forte. Corporativismo, jamais!”.

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Já o comandante do Exército, o general Paulo Sérgio Nogueira, além de não punir o general Pazuello, assinou juntamente com o ministro da Defesa (general Braga Netto) e os comandantes da Aeronáutica e da Marinha uma nota informando que não aceitariam “qualquer ataque leviano às instituições” (as suas instituições). 

Tais comportamentos e ações discursivas emergiram na esteira das investigações da CPI da Covid-19, e foram intensificadas quando o presidente da CPI, o senador Omar Aziz, disse que o Brasil não via há anos “membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo”.

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Ora, quem esses militares pensam que são? Que eles e as suas instituições estão acima das leis? Que os membros das Forças não podem ser investigados? Que pairam acima da sociedade para intervir unilateralmente no campo da política com a finalidade de decidir acerca dos caminhos políticos? Que absurdo! 

A soberba e a boçalidade apenas estão revelando as suas faces, e que faces são estas? 

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  1. Acham que não há banda podre nas Forças Armadas, acham que são incorruptíveis, mas isso só se for no discurso. Na prática há exemplos que demonstram justamente o contrário. Vejamos: os supersalários que existiram na época da ditadura e que voltaram agora e envolvem os militares. O general Braga Netto recebeu no mês de junho 100 mil reais, só para ilustrar. Muitos militares estão com salário duplo! Tráfico de influência e favorecimentos a empresários próximos dos militares ocorreram também na ditadura militar e hoje estamos vendo o envolvimento dos militares num esquema de superfaturamento de vacinas. Há outros exemplos, porém vamos ficar nesses. 
  2. Pensam que a hierarquia e a disciplina devem vigorar fora dos quartéis, ditando as relações sociais fora da caserna, de modo a tratar profissionais de imprensa, políticos, líderes sindicais e outros atores sociais como se fossem seus soldados. O general Eduardo Pazuello, por exemplo, não se cansou em destratar os profissionais da imprensa, dando coices constantemente;
  3. Colocam-se como “entes que pairam acima da sociedade”, como se estivessem fora do campo das relações das forças sociais e, nesse sentido, aptos a intervir nos rumos políticos do país, como fizeram no passado com o golpe de 1964, e como estão fazendo hoje;
  4. Dizem que defendem a democracia e a liberdade, mas são autoritários, odeiam críticas e não toleram divergências no campo político, cultural e social. Basta olharmos para o que ocorreu a partir de 1964, quem divergia e/ou era contrário à ditadura militar era perseguido, preso, torturado e, em última instância, assassinado;
  5. Acham que ainda estão (como na década de 1960) em “guerra total” contra o “inimigo externo” (China, Venezuela, Cuba, etc.) e “interno” (os comunistas infiltrados na sociedade brasileira), numa espécie de luta de “vida ou morte” para salvar o país do “perigo vermelho”. Que coisa obsoleta hein! Acreditam ainda que “os comunistas comem criancinhas”. Certamente por isso acreditaram na famosa “mamadeira de piroca”, no “Kit Gay”, etc.;
  6. Acreditam piamente que são “bons” gestores e que sabem conduzir os rumos do país, mesmo que no passado recente, da ditadura militar, tenham legado ao país endividamentos, inflação galopante, concentração de renda, miséria e desigualdades sociais. Talvez isso explique muito do desastre atual na gestão da pandemia, por exemplo. 

Enfim, definitivamente os militares estão mostrando novamente as suas faces, e elas têm uma íntima ligação com o passado de 1964. Portanto, não queremos ver mais desastres e tragédias como aquelas, e nem também como as que estamos vendo atualmente, especialmente na gestão da pandemia. 

Militares, vocês já mostraram as suas faces (inclusive a de negacionista!), voltem aos quartéis e não saiam nunca mais!

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