Militares vão ficar com a constituição ou com Bolsonaro?

"Os militares vão ficar com a constituição, cujo ritual está sendo obedecido no atual inquérito ou com Bolsonaro, que poderá garantir mais quatro anos de poder para eles?", questiona o jornalista Alex Solnik

(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)
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Por Alex Solnik, para o Jornalistas pela Democracia  

Começam a ser colhidos hoje os depoimentos de Alexandre Ramagem, Mauricio Valeixo e outros delegados da Polícia Federal citados pelo ex-ministro Sérgio Moro no interrogatório que prestou à PF, inaugurando a semana que deverá terminar com a decisão do PGR Augusto Aras de oferecer ou não denúncia ao STF e que poderá resultar no afastamento de Bolsonaro por 180 dias caso o Congresso dê a licença para ele ser investigado por 2/3 dos votos.

  Amanhã será a vez de os ministros militares do Planalto falarem e também será decidido se o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril será público ou ficará em sigilo, o que o ministro do STF Celso de Mello dirá depois de consultar Bolsonaro, Moro e a PGR.

  Na quinta-feira vai depor a deputada Carla Zambelli, que trocou mensagem de celular com Moro.

  Dado o ritmo acelerado, é bem possível que Aras diga já na sexta-feira se tem elementos para formular a denúncia ou se manda o inquérito ao arquivo morto.

  Essa é a parte conhecida do script, o que não se sabe é qual será a reação da ala militar do governo e das Forças Armadas caso a denúncia seja oferecida.

  Desde o início desse governo travam-se acirrados debates entre os que garantem que a atual geração da caserna está vacinada contra golpes de estado e os que desconfiam que na hora H generais vão se opor a um possível afastamento, nem que para isso seja necessário colocar tropas na rua.

  Em tese, os militares não terão muitas perdas a lamentar caso Bolsonaro seja afastado e depois condenado, perdendo seu cargo e os direitos políticos.

  Afinal, o vice é também militar, mais graduado que Bolsonaro, mais próximo aos militares do Planalto que o próprio capitão e que deverá, se assumir, manter o aparato militar intacto.

  Não se trata, como no afastamento de Dilma Rousseff de mudança radical de governo e sim de continuidade.

  No entanto, o que esse roteiro mostra é que os militares continuariam no poder até 2022 e ficariam por aí, pois já não teriam mais Bolsonaro nas próximas eleições e Mourão não tem a menor expressão eleitoral para vencer o pleito.

  Sem Bolsonaro no páreo, o favorito da direita será Moro e, se for eleito, os militares deverão voltar à caserna, sendo substituídos pelos homens de ouro da Lava Jato.

  Diante dessa perspectiva de perda de poder em dois anos é que se coloca desde já a questão: na hora do “vamo ver” os militares vão ficar com a constituição, cujo ritual está sendo obedecido no atual inquérito ou com Bolsonaro, que poderá garantir mais quatro anos de poder para eles?     

Militares vão ficar com a constituição ou com Bolsonaro?

  Começam a ser colhidos hoje os depoimentos de Alexandre Ramagem, Mauricio Valeixo e outros delegados da Polícia Federal citados pelo ex-ministro Sérgio Moro no interrogatório que prestou à PF, inaugurando a semana que deverá terminar com a decisão do PGR Augusto Aras de oferecer ou não denúncia ao STF e que poderá resultar no afastamento de Bolsonaro por 180 dias caso o Congresso dê a licença para ele ser investigado por 2/3 dos votos.

  Amanhã será a vez de os ministros militares do Planalto falarem e também será decidido se o vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril será público ou ficará em sigilo, o que o ministro do STF Celso de Mello dirá depois de consultar Bolsonaro, Moro e a PGR.

  Na quinta-feira vai depor a deputada Carla Zambelli, que trocou mensagem de celular com Moro.

  Dado o ritmo acelerado, é bem possível que Aras diga já na sexta-feira se tem elementos para formular a denúncia ou se manda o inquérito ao arquivo morto.

  Essa é a parte conhecida do script, o que não se sabe é qual será a reação da ala militar do governo e das Forças Armadas caso a denúncia seja oferecida.

  Desde o início desse governo travam-se acirrados debates entre os que garantem que a atual geração da caserna está vacinada contra golpes de estado e os que desconfiam que na hora H generais vão se opor a um possível afastamento, nem que para isso seja necessário colocar tropas na rua.

  Em tese, os militares não terão muitas perdas a lamentar caso Bolsonaro seja afastado e depois condenado, perdendo seu cargo e os direitos políticos.

  Afinal, o vice é também militar, mais graduado que Bolsonaro, mais próximo aos militares do Planalto que o próprio capitão e que deverá, se assumir, manter o aparato militar intacto.

  Não se trata, como no afastamento de Dilma Rousseff de mudança radical de governo e sim de continuidade.

  No entanto, o que esse roteiro mostra é que os militares continuariam no poder até 2022 e ficariam por aí, pois já não teriam mais Bolsonaro nas próximas eleições e Mourão não tem a menor expressão eleitoral para vencer o pleito.

  Sem Bolsonaro no páreo, o favorito da direita será Moro e, se for eleito, os militares deverão voltar à caserna, sendo substituídos pelos homens de ouro da Lava Jato.

  Diante dessa perspectiva de perda de poder em dois anos é que se coloca desde já a questão: na hora do “vamo ver” os militares vão ficar com a constituição, cujo ritual está sendo obedecido no atual inquérito ou com Bolsonaro, que poderá garantir mais quatro anos de poder para eles?     

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