Militares viram partido político desestabilizador da República

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Ah, não! Seria cômico, se não fosse trágico: deram o golpe para entrar; agora, querem dar novo golpe para não sair! Pode uma porra dessa? O general Braga Neto, comandante do Ministério da Defesa, vira condestável da República, personagem mais sinistro, do ponto de vista democrático, do governo Bolsonaro; essa dele de ameaçar melar eleições do próximo ano, calendário mais importante da vida política nacional, se não for aprovado voto impresso pelo Congresso, é, simplesmente, preanuncio de quartelada; na maior cara de pau, o general rasga a Constituição.

Trata-se, claramente, de atestado de derrota eleitoral antecipada da candidatura Bolsonaro para seu concorrente Lula, prevista pelas pesquisas, que sinalizam nesse sentido; qual o preventivo? Golpe militar; a notícia dada pelo jornal O Estado de São Paulo, colhida nos bastidores da capital, mas não confirmada pelo Ministério da Defesa, joga o país, há um ano e pouco da eleição presidencial, na mais profunda confusão, não, apenas, política, mas, igualmente, econômica.

REPÚBLICA DAS BANANAS EXPLÍCITA

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Os operadores financeiros, que, na financeirização econômica global, mandam e desmandam no governo, por meio do Banco Central Independente(BCI), passarão, desde já, a navegar na mais profunda volatilidade e obscuridade; qual investidor continuará operando com segurança, no Brasil, se a democracia está com espada de Dâmocles sobre sua cabeça, conforme sentença do general Braga, a voz das 3 forças armadas do País? Quem devia dar o exemplo, rasga a fantasia do golpismo; configura-se absurdo total.

As Forças Armadas, de acordo com a Constituição, no artigo 142, posiciona-se como partido moderador, disponível a qualquer um dos poderes, para entrar em cena, no cenário republicano, caso o país entre em instabilidade institucional; a surpresa, agora, é a de que são as próprias forças armadas que se colocam, nesse recado do general Braga, como não mais partido moderador, mas, desestabilizador das forças democráticas.

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Os poderes Legislativo, Judiciário e Executivo entram em convulsão política-institucional pela ação do partido da desestabilização democrática, exposto, sem peias, pelo general Braga; é ou não facada nas costas das instituições democráticas, mergulhadas em profunda crise econômica neoliberal ultrarradical, marcada pelo desmanche econômico estatal, desemprego, fome, instabilidade social, inflação, superconcentração de renda, desigualdade social, fuga de capital e desestabilidade cambial?

CONFIRMAÇÃO HISTÓRICA DO GOLPE

Vão se confirmando as apreensões e convicções de que realmente o país, em 2018, foi vítima de golpe militar para impedir candidatura de Lula e sua provável vitória sobre Bolsonaro, conforme preanunciavam as pesquisas eleitorais, exatamente, como ocorre, nesse momento; pouco, antes, em 2016, o golpe parlamentar, jurídico e midiático, desfechado sobre a presidenta Dilma, para colocar o vice Temer no poder, ocorreria sob silêncio conivente dos militares; é, profundamente, perturbador que a ameaça à democracia despachada por Braga, comunicada ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira(PP-AL), líder do Centrão, ocorra, justamente, quando Bolsonaro chama ao poder o próprio Centrão, para comandar o governo, a partir da Casa Civil, a ser comandada pelo senador Ciro Nogueira, também, do PP piauiense; os militares pulam para dentro do Centrão ou o Centrão pula dentro do Partido Militar? Ocorrre ou não militarização do Centrão que abraça o golpe ensaiado pelo general Braga, impondo hegemonia do Partido Militar na cena antidemocrática nacional?

A instabilidade institucional está instalada, justamente, pela ação dos que teriam a missão de moderadores do processo político, quando este estiver ameaçado!

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