Ministério da Justiça vai virar delegacia

"Nenhum dos cinco generais da ditadura de 64 nomeou policiais para cuidar da Justiça. Desse crime não podem ser acusados", avalia o jornalista Alex Solnik

Jair Bolsonaro durante encontro com o Secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Gustavo Torres
Jair Bolsonaro durante encontro com o Secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Gustavo Torres (Foto: Carolina Antunes/PR)
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Nunca, jamais, em tempo algum, um presidente da República eleito pelo voto popular e direto fez uma afronta tão grande às instituições democráticas.

Nem em ciclos democráticos nem em ditatoriais um delegado de polícia foi nomeado ministro da Justiça, como Bolsonaro fez com Anderson Torres, ex-delegado da Polícia Federal e ex-secretário da Segurança Pública do DF.

Seria como o Getúlio do Estado Novo colocar na Justiça o seu chefe de polícia, Filinto Muller (com trema). Mas não. Seu ministro da Justiça foi um jurista – Francisco Campos. Jurista medíocre, mas jurista.

Nenhum dos cinco generais da ditadura de 64 nomeou policiais para cuidar da Justiça. Desse crime não podem ser acusados.

O currículo de Torres não deixa margem a dúvidas. Nunca teve conexões com Justiça, e sim com Polícia.

Alguém pode alegar que o nome completo do ministério é Ministério da Justiça e da Segurança Pública.

E eu respondo: o próprio nome indica que Justiça vem em primeiro lugar. Um homem (ou mulher) da área da Justiça deveria comandar a Polícia e não um policial comandar a Justiça.

Com delegado no comando, o ministério da Justiça vai virar delegacia.

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