Ministro Barroso, sua omissão pode matar mais brasileiros

Barroso, com este tipo de teimosia, compara-se a Jair Bolsonaro quando o assunto é ignorar a assimetria dos temas que se colidem no espaço-tempo desta História recente, isto é, fingir que o Coronavírus é insignificante perante outros intentos (que possuem importância, porém) adiáveis, como Economia e Eleição (semânticas políticas, por extensão)

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Ano eleitoral. Prefeitos assustados e sem rumo. Em 2020 a tragédia se anuncia cada minuto maior em face da pandemia da COVID-19. E o ministro do STF, também Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, simplesmente se omite no cambão sério deste debate: ADIAR A ELEIÇÃO MUNICIPAL do ano pandêmico.

Barroso parece ignorar, ou fazer ouvido de mercador quando alguém toca no assunto de adiamento do pleito de 2020 em face da crise sanitária jamais vista nas décadas destas gerações viventes.

Chego a ir mais longe: Barroso, com este tipo de teimosia, compara-se ao Presidente da República, Jair Bolsonaro, quando o assunto é ignorar a assimetria dos temas que se colidem no espaço-tempo desta História recente, isto é, fingir que o Coronavírus é insignificante perante outros intentos (que possuem importância, porém) adiáveis, como Economia e Eleição (semânticas políticas, por extensão). E neste caso, aos dois cairão no colo a responsabilização, senão jurídica, ao menos histórica, pelas milhares de mortes que ainda tentarão surgir no país do “Parsa Corona”[1].

Ora, para exemplificar o terror psicológico por que passamos, na cidade onde hoje resido, com menos de 20 mil habitantes (segundo o IBGE), já temos 9 casos de COVID-19 e 1 óbito (em menos de 10 dias). Outros tantos suspeitos com risco de confirmação. Como? Tão pequeno município e essa proporção de tristeza?

Pois é! Não tenho comprovação, todavia, fico imaginando como está a “cabeça” do Prefeito da cidade: comerciantes pressionando para abrir seus mercados (e abriu-se); os religiosos pressionando para realizar suas cerimônias de fé (e permitiu-se); os vereadores, divididos, pressionando para que a vida da população volte “ao normal” (vixi!, essa parte não coube no Decreto do Prefeito... e não voltou... piorou: agora temos o vírus se espalhando em cada esquina).

Fluxo eleitoral. São 5.571 municípios no Brasil. Todos, exceto Brasília, terão eleição – por osmose ou soberba do Presidente do TSE e seus “parsa” de Corte. Imaginem como estão as “cabeças” dos PREFEITOS destas cidades: precisando assinar DECRETOS para impor uma sistemática de prevenção à COVID-19, com medo de “retaliação eleitoral” (isto é, do povo não votar), recua e deixa frouxa a situação do coronavírus nos rincões deste País?

As convenções ocorrem no próximo mês. As discussões (articulações, montagem de chapas eleitorais) já deveriam estar – ou estão – acontecendo. Como assim? A eleição é daqui há poucas semanas... e tudo isso em meio a uma loucura pandêmica! [2]

Lembremos ao Barroso – se ele somente conhece o eixo Rio-Brasília – que onde resido não tem leitos suficientes, os respiradores são pouquíssimos e o colapso da saúde não se impõe com os meses – como em São Paulo etc. Isso acontece em semanas. Somente precisamos de um caso na semana passada para hoje já termos nove: repito 9 contaminados. O SUS – aqui – não suportará mais confirmações. 

Lembremos (ainda) ao Barroso que este município que me refiro é um ESPELHO da realidade em quase todo o País – ou será se ele não levar à serio o debate para o adiamento[3] das ELEIÇÕES 2020.  

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[1] Chamo assim o Brasil, o único país que começou o combate imediato – com medidas drásticas – frente à pandemia do Coronavírus, e, quando a desgraça veio para valer, estranhamente, começou a afrouxar o Distanciamento Social, a ter manifestações e aglomerações pró-corona (fingindo ser pró-economia) e tudo mais na contramão das demais nações do mundo. O Coronavírus agradece o “banquete” fácil deste “comparsa” chamado Brasil.

[2] Precisa avisar a Sua Excelência, se ele não sabe fazer análise de conjuntura, que não é realizando o pleito da eleição em 4 dias – como propõe – que resolverá o problema. A eleição é uma constante. Ela passa pelo aspecto subjetivo (isto é, o medo e a ousadia para tomada de decisões por parte de gestores); e pelo aspecto objetivo (isto é, as tratativas e conversas para organização das campanhas). Portanto, a tal AGLOMERAÇÃO pode até não ocorrer em outubro – segundo o “plano” do Ministro, mas e até lá, Sr. Presidente do TSE, veremos nossos irmãos morrerem por força da conjuntura e desdobramento às prévias eleitorais?

[3] Até os JOGOS OLÍMPICOS já foram adiados em virtude da crise humanitária por que passa o mundo. Que capricho todo é esse de não se fazer um debate austero sobre outra metodologia ao sistema político brasileiro de tal modo que arremeta a Eleição para 2021 ou 2022?

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