Mobilizar os estudantes para derrotar Bolsonaro

Com a pandemia e o isolamento social, o que dificulta a mobilização, os movimentos sociais e as entidades estudantis precisam fazer o exercício de manter contato com a base

(Foto: Divulgação)
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Por Caio Yuji

A pauta Fora Bolsonaro vem cada vez mais agregando novos setores e ampliando uma frente de oposição ao governo federal. Por óbvio o setor da educação tem atuação permanente nessa frente, a agenda do presidente para as escolas e universidades, tanto públicas quanto pagas, é o completo desmonte.

Desde antes da pandemia os estudantes, professores e profissionais da educação, lutam pela autonomia universitária e para garantir que exista financiamento para nossas instituições de ensino. Mobilizamos milhares de pessoas pelo país inteiro e conseguimos reverter cortes que salvaram as universidades federais, mantiveram ativas as salas de aula e os laboratórios de pesquisa, que hoje são fundamentais para o combate ao Corona Vírus.

Na ordem do dia com certeza está a vacinação da população para que possamos voltar a dinâmica presencial de todas as atividades, infelizmente já estamos há quase um ano sem retornar para as escolas e universidades, isso tem impacto enorme, sobretudo para os estudantes secundaristas. A escola cumpre um papel fundamental na formação cidadã dos nossos jovens, pra além do próprio conteúdo que é passado na sala de aula, são ensinamentos fundamentais para entender a sociedade e a natureza.

Tanto a vacina quanto a resistência contra o Governo Bolsonaro são lutas essenciais para a vida do povo Brasileiro, porém sozinhas não são suficientes para mobilizar e reconectar os movimentos sociais com as bases.

Vivemos hoje em um país profundamente injusto e desigual, com pouca distribuição de renda e sem perspectiva de gerar emprego. No caso dos estudantes grande parte abandonou a sala de aula, mensalidades que não baixaram, quase nenhuma política pública de permanência estudantil, e o fim do auxílio emergencial. 

Sem o ensino superior completo, essa geração precisará buscar o trabalho informal, durante uma profunda mudança nas relações de trabalho, por exemplo Uber e aplicativos de entrega.

Logo, mesmo contra, nem todos os estudantes se mobilizam contra o Bolsonaro, estes que precisam se encaixar de alguma forma para sobreviver à crise econômica. Dito isso, quero usar de exemplo uma iniciativa importantíssima do estado de Pernambuco, o ProUni Estadual, bolsas que serão distribuídas para os estudantes.

Em São Paulo a União Estadual dos Estudantes caminhará neste sentido, formular um projeto de renda para os estudantes que estão tendo que evadir das salas de aula. Acredito que dialoga com a realidade da juventude e pode mobilizar uma parcela dos universitários que precisam de amparo.

Por isso é fundamental uma forte campanha de volta às aulas, passar em sala de aula mesmo que online, pra dialogar com os estudantes. É preciso também envolver o setor da educação entorno desta pauta e estabelecer diálogo com o legislativo e o executivo. 

O caminho não será fácil, mas o movimento estudantil nos ensina que com firmeza na luta é possível transformar a vida das pessoas.

Os estudantes escrevem a história do nosso país ao lado dos trabalhadores, não vamos parar até convencer cada estudante paulista de que nossa luta vale a pena.

Fora Bolsonaro! Em defesa da educação.

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