Moeda virtual e trabalho

A moda agora são as muito badaladas moedas virtuais. Aparece como fenômeno combinado a envolver o instante econômico em que o 'continente à deriva' do sistema bancário-rentista assume a dianteira dos processos econômicos mundiais e em fina e macabra sincronia, por óbvio, com as mais modernas tecnologias de comunicação

Bitcoin. Foto: antanacoins/Flickr/Creative Commons
Bitcoin. Foto: antanacoins/Flickr/Creative Commons (Foto: Ângelo Cavalcante)

A moda agora são as muito badaladas moedas virtuais; aparece como fenômeno combinado a envolver o instante econômico em que o 'continente à deriva' do sistema bancário-rentista assume a dianteira dos processos econômicos mundiais e em fina e macabra sincronia, por óbvio, com as mais modernas tecnologias de comunicação.

Representa instante notadamente novo no processo de intercâmbio comercial e que impõe desafios para a própria compreensão do atual padrão organizativo das economias e as tendências abertas e visíveis ou não, desse movimento.

Como isso surge? Qual seu sentido? E por quê, surge? Vamos aos fatos! Ocorre que não se sabe ao certo a quantidade exata de moedas virtuais em operação no mundo. Para esse 'joguinho' não há o menor, eu disse o menor, e mais tímido controle! É que a base do código e o sistema de operação e constituição de moedas virtuais é aberta e, dessa maneira, surgem diversas moedas ano após ano. É só o banco ou a financeira tal decidirem e... Plim! Nasceu!

Mas, segundo o site especializado 'Coin Market Cap', se estima que estejam atualmente em ativa operação algo como 1.448 tipos de moedas e que movimentam bilhões e mais bilhões de dólares diariamente.

Neste universo ou info-universo, destacam-se: BitCoin (2009), Ethereum (2014), Cardano (2015), LiteCoin (2011), Stellar (2014), NEM (2015), Monero (2014), dentre muitas e variadas outras.

Tem que, sem sombra de dúvidas, a moeda virtual ou 'criptomoeda' mais conhecida é efetivamente, o "BitCoin" (Abreviação ISO 4217: BTC ou XBT) que em sentido literal, quer dizer "moeda pequena" ou algo semelhante. Sua verdadeira origem é bastante controversa e carregada de especulações mas sua primeira menção aconteceu em 2008, em um grupo de discussão intitulado "The Cryptography Mailing"; fora sugerida por certo Satoshi Nakamoto (sabe-se muito pouco sobre Nakamoto; na verdade, ainda hoje, não se sabe se, de fato, é uma pessoa, um grupo de pessoas, uma estrategia de negócios ou uma empresa).

A BitCoin é tida como a primeira "moeda escondida"; outros de maior entusiasmo a tomam como um "sistema econômico alternativo" e responsável pelo surgimento do que especialistas classificam como um amplo e revolucionário "sistema bancário livre".

Por sinal, os argumentos mais utilizados para a criação de uma "moeda virtual" e que, na verdade, se converteram em princípios militantes do próprio liberalismo são: a liberdade de circulação e negociação e a independência de governos e bancos tradicionais.

As críticas, no entanto, a esse tipo de mecanismo de intermediação de intercâmbios econômicos e comerciais não param de crescer. Uma das mais utilizadas é o da inexistência de lastro econômico real para a maior parte de suas operações; um economista brasileiro se referiu ao "império das virtuais" como sendo esse "estranho mundo econômico que flutua"; não por acaso, já existem os que prevem em muito breve, o pipocar ininterrupto de bolhas especulativas a partir do usufruto global e desmesurado das ditas moedas virtuais.

O bilionário norte-americano Carl Icahn, veterano e viciado nos jogos especulativos de Wall Street e tido pela revista Forbes (2012) como o 50o. homem mais rico do mundo, anunciou recentemente e de forma insuspeita de que: "é contra as moedas virtuais e que não possui uma visão positiva sobre o tema". (Fonte: Moedas Virtuais Brasil).

Mas o que toda essa parafernália tecnológica tem que ver com o trabalho real e objetivado? Com a condição do trabalho nas atuais regras e determinações de expansão do capitalismo global? Com as reterritorializações do capital e que estão fazendo estremecer as placas tectônicas das economias mundiais e com impactos e rebatimentos diretos sobre o mundo do trabalho?

Tem tudo e nada que ver! Tem tudo porque expressa o próprio estágio de organização das forças do capital; porque indica e implica em tendências, movimentos e lógicas totalizantes que irão envolver e gerar condicionantes para todo o conjunto das forças produtivas e do trabalho. Toda essa farra ou 'bit-farra' expressa e revela os próprios padrões de liberalização da economia global. É o maior "libera geral" da história econômica do mundo.

E não tem nada que ver porque, como citado pelo bom e velho Marx de guerra, não pode haver riqueza sem exploração e muita exploração do trabalho; é preciso que haja produto, produção de mercadoria, ou seja, e portanto, a economia monetária ou virtual precisa da economia real como o corpo humano carece do sangue para a realização e o contínuo brutal e selvagem da apropriação das riquezas socialmente produzidas; evidentemente, concentradas ou hiper-concentradas como é próprio do sistema do capital.

O BitCoin e congêneres não libera o trabalho de absolutamente nada; ao contrário, sua ampliação e exercício gera implicações duras e paralelas na base do mundo social por maior envolvimento, exigência e quantidades sempre maiores de trabalhos produtivos.

Não confundamos alhos com bugalhos! Uma coisa é uma coisa e outra coisa é... Outra coisa... O trabalho é e seguirá sendo central e definitivo para todo o sempre da existência humana e; com ou sem moedas virtuais, gestões otimizadas, produções flexíveis ou linhas enxutas o mundo do trabalho permanece e avança definitiva e perpetuamente no 'topos' do desiderato da produção do mundo.

Vício ou virtude? Tragédia ou fortuna? Júbilo ou maldição? Não dá pra dizer ao certo... Mas que as classes do trabalho tem de dar um freio nessa pouca vergonha... Já passou da hora!

Conheça a TV 247

Mais de Blog

Ao vivo na TV 247 Youtube 247