Moro se encastela junto ao bolsonarismo

O juiz da 13ª Vara Federal do TRF da 4ª Região, Sérgio Moro participa de audiência pública na Comissão Especial do Novo Código de Processo Penal (PL 8.045/10).
O juiz da 13ª Vara Federal do TRF da 4ª Região, Sérgio Moro participa de audiência pública na Comissão Especial do Novo Código de Processo Penal (PL 8.045/10). (Foto: Wilson Dias/ABR)

A nova leva de revelações de conversas entre os agentes da operação Lava Jato a partir da parceria The Intercept-Veja é até agora o conteúdo mais forte contra o ex-juiz e então ministro Moro que, certamente, é quem chefiava a força-tarefa da Lava Jato e manipulava as provas e alegações do Ministério Público (MP) ao seu bel-prazer.

Num dos trechos das conversas, Moro recusa a delação premiada do ex-deputado federal e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, fazendo acordo com ele e absolvendo sua esposa, Claudia Cruz. Um outro trecho revela que a prisão do Almirante Othon, que organizava o programa nuclear e renovação de matrizes energéticas do país, também foi tramada pela dupla da República de Curitiba. O resultado foi a paralisia do projeto do submarino de propulsão nuclear.

A cada dia fica mais claro que Moro e a força-tarefa da Lava Jato destruíram empresas nacionais dos setores da construção civil e do setor de óleo e gás, arruinaram a economia e tutelaram a democracia atendendo a interesses geopolíticos dos EUA.

Nesta semana ocorreu em São Paulo o evento "Expert 2019", da XP investimentos, que evidenciou uma mudança nos dirigentes das classes dominantes brasileiras. Antes eram as empreiteiras da construção pesada, empresários da indústria, do agronegócio e o setor financeiro. Após o advento da Lava Jato, as empreiteiras e alguns grandes empresários foram dizimados. Já a indústria vem sendo desmontada nos últimos anos pelo receituário neoliberal aplicado como política econômica.

Restaram o agronegócio e o capital financeiro. Ou seja, uma burguesia sem nenhum compromisso nacional. Não à toa que Moro foi ovacionado pelas cerca de 8 mil pessoas que lotavam o Transamérica Expo Center nesta sexta (5), mesmo dia que saiu a matéria na Revista Veja. Para a banca e para as classes dominantes está tudo bem. Moro é um herói pra essa turma. Pouco importa se ele cometeu ilegalidades e arbitrariedades. O que importa é que ele foi o responsável por tirar o PT do governo e cumpriu a tarefa de encarcerar o Lula.

Agora, Moro insiste na tática de minimizar o conteúdo dos vazamentos e, principalmente, manter a justificativa de que estava combatendo a corrupção. A cada vez que tenta responder às revelações, perde apoio dos moderados e se posiciona junto aos radicais da extrema-direita e do bolsonarismo. Com isso, Bolsonaro dá guarida ao Moro, usando-o como escudo, como refém, queimando seu capital político e se preservando por tabela. Por isso ele lança que vai levar Moro ao Maracanã para a final da Copa América e “testar a sua popularidade”.

Nós da oposição, das esquerdas, temos uma longa travessia pela frente, pois a hegemonia da extrema-direita, ao que parece, durará algum tempo. Hoje eles organizam em torno de 30% da sociedade. Bem como nós, da esquerda. Logo, tem mais 40% de brasileiras e brasileiros indecisos no meio dessa polarização. É muita gente.

Os desdobramentos da conjuntura internacional são cruciais para uma mudança de cenário. Por exemplo, os resultados eleitorais na Argentina, com a vitória de Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, e com a vitória da Frente Ampla no Uruguai. Sem contar numa derrota de Trump nas eleições estadunidenses.

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