Mourão presidente e o eleitor de Bolsonaro: “Traidor!”

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
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 O impeachment de Bolsonaro é algo fundamentalmente necessário ao País (ponto). E o impeachment já não é algo que possa ser esperado; e inevitável, pela lógica, e é para ontem, pelas circunstâncias. Não se trata nem mais de crime de responsabilidade, corrupção em sentido lato, “coisas” que de certa forma até podem ir ao cozimento em forno brando. O impeachment nesse momento serve (pasmem!) para salvar vidas objetivamente. Sim, o povo está morrendo (literalmente) e sufocado (metafórica e literalmente). Ou paramos o Presidente da República agora, ou veremos um genocídio em larga escala – pouco visto na história da Humanidade.

  Mas quem será o Presidente do Brasil com a deposição de Jair Bolsonaro? Não, não é alguém do bem; é Hamilton Mourão, seu vice.  

  Devemos nos assustar com essa informação e possibilidade? Não. Não mais.  

  Caminhemos agora pelas variáveis.

  Alguns meses atrás – confesso – eu temia sobremaneira Mourão como Presidente – num eventual afastamento de Bolsonaro. Agora não mais. E três eram os motivos principais de uma preocupação pragmática deste militar como nosso Chefe de Governo. Senão, vejamos.

  1. Hamilton Mourão parecia-nos ser diplomático, portanto, capaz – tão mais que seu colega de chapa presidencial – de aglutinar as forças hegemônicas do País. Ter em “seu colo” os empresários, os latifundiários, os magnatas da grande mídia, os membros das Forças Armadas, do Judiciário e mesmo, a maioria fácil na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Com isso, convenceria mais facilmente estas elites (castas podres coloniais) para a aprovação das pseudo-reformas do Estado Brasileiro, cuja centralidade é o fim dos direitos humanos e o fim dos direitos sociais pertencentes aos mais pobres.

  1.1. Isso não é mais um problema. Os bilionários somente precisavam de um “bode expiatório” para aprovar as principais reformas (deformas) que destruíram os direitos da classe trabalhadora e das pessoas vulnerabilizadas do Brasil. Bolsonaro caiu como um patinho [amarelo] nas ciladas do Mercado e assinou os projetos de Lei para este esquartejamento do Estado, Democrático e de Direito. Todas estas mudanças infelizes (que FHC, mesmo Michel Temer) outros líderes políticos não tiveram coragem de enviar ao Congresso, Bolsonaro o fez.  

 1.2. Como nosso Congresso Nacional é formado por maioria esmagadora de canalhas (e era com eles que deveríamos nos preocupar o tempo todo), as várias imundícies já foram aprovadas (claro que ainda têm projetos trágicos no Parlamento, mas...).

  2. Hamilton Mourão teria possibilidade real de ser reeleito? Naquele momento eu acreditava que sim. Afinal, ele parece ter cérebro (coisa que Bolsonaro não tem). Ele parece ter mais prudência (sabe recuar na hora certa). Ele parece ter alguma habilidade política. E com a caneta de Presidente, o risco é sempre eminente.

  2.1. Entretanto, experienciamos um fato bastante sintomático no Governo Bolsonaro: todos que se voltaram contra o “mito”, viram a fúria dos fanáticos, lunáticos, ignorantes e fascistas (e alguns ingênuos) que seguem Bolsonaro (cerca de 30% da população).  

 2.2. Lembremos – para exemplificar – o maior “herói” dos tolos: Sérgio Moro, o ex-juiz. Venerado, aliás, adorado pelos bolsonaristas; foi brigar com o Presidente e hoje é um nada rejeitado por quase todo o País.  

 2.3. Então, estes 30% de eleitores alienados de Bolsonaro devem residir uma parte num limbo (no voto nulo). “Sem você, não vo, mito”, dirão os bolsonaristas em 2022. Outra parte irá para algum candidato da direita, quem sabe, por sorte do Brasil, um pouco mais republicano.

 2.4. Embora creio que uma pequena parte ainda deste eleitor fique mesmo com Mourão, o vice-presidente seria preponderantemente visto como o “Traidor” de Bolsonaro.  

 3. Hamilton Mourão poderia tentar emplacar uma Ditadura Militar. (Uhhmm?!)

 3.1. Na verdade, percebeu-se com o tempo, que este risco de golpe extremo está tão passional para Mourão, quanto para Bolsonaro. Aliás, é possível que o “mito” até flerte mais com isso, o que impõe uma insegurança permanente e uma inercia civilizatória, face que estamos sempre sob o locus da ameaça. Não há produção, nem evolução quando o medo é a brisa de todas as manhãs humanas.

 3.2. Entretanto, há uma esperança, uma luz no fim do túnel de que o Exército, a Marinha e a Aeronáutica não “deseje” mais um novo Regime de 64. Explico.  

 3.3. Os novos oficiais das Forças Armadas cresceram noutra geração que a de seus avós militares. Há neles um DNA do mal (que inquieta golpes), mas uma formação geracional do bem (que pleiteia a democracia). Penso que pesa mais na cabeça da maioria dos almirantes, brigadeiros e generais a parte lúcida, a racionalidade civilizatória.

 3.4. Porém, se não o fizerem (a democracia) por esta sobriedade, farão por força de simbolismo na política internacional. Ora, o Brasil não é mais um quintalzinho de quinta geopolítico. É uma potência reconhecida pelas nações do mundo. Um país de uma (bio)diversidade necessária ao planeta. Um território cheio de riquezas e alimentos fundamentais ao mundo inteiro.  

 3.5. Suas florestas são essenciais ao equilíbrio e existência da vida humana. Então, tudo que afeta nosso País afeta o mundo. E o mundo está com a luz amarela virada para o Brasil – dados os riscos de colapso civilizatório por aqui, cujo resvalo impactem a vida na Terra. Portanto, não creio que 64 se repita tão facilmente. Seria mais fácil – e tão trágico quanto – uma intervenção internacional.

 Feitas estas análises, agora o evento é aritmético e humanitário. Isto é, aguentar dois anos de Hamilton Mourão será muito mais fácil que tentar sobreviver a dois anos de Bolsonaro.

 Por tudo isso, o Brasil clama o impeachment já!

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