Muito além de duzentos mil mortes...

O planeta Terra tem cerca de 7,8 bilhões de habitantes, 210 milhões deles vivendo no Brasil. Somos menos de 3% da população mundial. A COVID19 tirou a vida de 1,9 milhões de pessoas, destas 205 mil eram brasileiras. Respondemos por quase 11% dos óbitos na pandemia. Se essa matemática simples não for suficientemente elucidativa para pensarmos a dramaticidade trágica do que vivemos, nada mais será capaz de sensibilizar e convencer o povo da urgência da vacinação e dos demais protocolos e políticas para enfrentar o coronavírus.

(Foto: NASA)
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O planeta Terra tem cerca de 7,8 bilhões de habitantes, 210 milhões deles vivendo no Brasil. Somos menos de 3% da população mundial. A COVID19 tirou a vida de 1,9 milhões de pessoas, destas 205 mil eram brasileiras. Respondemos por quase 11% dos óbitos na pandemia. Se essa matemática simples não for suficientemente elucidativa para pensarmos a dramaticidade trágica do que vivemos, nada mais será capaz de sensibilizar e convencer o povo da urgência da vacinação e dos demais protocolos e políticas para enfrentar o coronavírus.

No lodaçento mangue que se formou com a disputa insana de narrativas, versões, informações e desinformações, obscurantismos e fanatismos em torno do vírus, da pandemia, das medidas sanitárias, do tratamento e da cura ou imunização, a verdade - tal como na guerra - foi a primeira vítima. Não que não existisse ou não houvesse dados seguros para afirmá-la, mas porque uma perversão política, ideológica e espiritual tomou conta da sociedade num grau tão ou mais grave do que a própria doença.

A negação sistemática, planejada, estratégica, intencional e massiva dos caracteres gerais do problema marcou o cenário e o debate, com tintas pesadas e recusas que emolduravam irracionalismo, anti cientificidade, falseamento, manipulação, excitação, fanatismo, má índole, virulência, delírio, obscurantismo e outros aspectos deletérios.

O modo de proceder frente a uma pandemia global, certificada pelos mais responsáveis e respeitáveis órgãos multilaterais de saúde e governança acabou virando pano de fundo para uma luta de maior alcance, profundidade e envergadura: civilização ou barbárie. A humanidade se cindiu em campos opostos, antagônicos, polarizados, mais do que adversários, inimigos.

O caso brasileiro, expressão radical e infeliz dessa luta feroz, assusta e preocupa porque carrega consigo os elementos civilizatórios e societários embaralhados com a perspectiva nefasta de sepultamento dos instrumentos do chamado Estado Democrático de Direito e do próprio Contrato Social (capenga, frágil, vulnerável, esquartejado) que media a convivência e o relacionamento coletivo.

Mesmo que os números, índices, estatísticas nos comprovem o horror da contaminação, adoecimento e mortandade, a fixação negacionista e a obsessão política conseguem até o momento driblar o bom senso, o equilíbrio e a empatia, enraizando uma visão de mundo e de vida egoísta, cínica, vil, patológica e maligna. Discursos, posturas e atitudes que desprezam o Humanismo imanente da Modernidade cavam trincheiras para a destruição do patrimônio intelectual, filosófico, político que tem orientado o mundo no sentido do progresso, evolução e desenvolvimento.

O laboratório social em curso no Brasil é mais do que uma simples experiência, é modelo para a sua generalização planetária. E, no âmbito doméstico, caminho para a instalação de um regime de exceção abertamente fascista, decidido a introduzir um projeto de poder apoiado na coerção, coação e coesão a partir da força, do convencimento e da obediência.

Não é, portanto, pouca coisa o que nos cerca e nos oprime. Subestimar as manifestações emanadas da realidade objetiva e do comportamento subjetivo que se demonstram cotidianamente como práticas cada vez mais comuns e corriqueiras é erro crasso. O episódio do Capitólio parece ser pedagógico da disposição dos líderes e liderados em fazer do distúrbio e do caos o caldeirão para seus propósitos nefastos.

A luta pela vacinação não é uma pauta restrita a si mesmo, pelo contrário, se inscreve num conjunto maior de embates. Afirmar e assegurar sua realização emprega agentes sociais e políticos amplos e pode não só deter o genocídio, mas também acordar as diversas correntes de pensamento quanto a uma saída unitária para o perigo já instalado e que flerta com o golpe. A Vida tornou-se o centro das ações e é a partir desse elemento indispensável que deveriam convergir todos aqueles que recusam o novo anormal como futuro inexorável.

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