Não foi erro, foi GOLPE!

Acreditar que a classe média brasileira aceitaria a ascensão das classes mais baixas foi o grande equívoco cometido pelos governos de esquerda. Ignoraram mais de 500 anos de um processo cultural racista, oligárquico e de profunda desigualdade social

20/08/2015- São Paulo- SP, Brasil- Manifestação contra o impeachment de Dilma, no Largo da Batata, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Agência PT
20/08/2015- São Paulo- SP, Brasil- Manifestação contra o impeachment de Dilma, no Largo da Batata, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/ Agência PT (Foto: Paulo Pinto/Agência PT)

A todo momento ainda existem “cobranças” sobre eventuais “erros” que os governos de esquerda teriam cometido, no curto período de governança em um país com mais de 500 anos. Constantemente são feitas exigências para que equívocos sejam assumidos, inclusive por parte da esquerda e de progressistas em geral.

Ora, passa da hora de encarar a realidade e dizer o que de fato ocorreu: O Brasil sofreu um GOLPE, uma tomada de poder para os mais conservadores.

Se é possível falar em erros, este seria de avaliação!

O processo cultural no país foi ignorado; avaliou-se que seria possível fomentar a ascensão socioeconômica dos grupos marginalizados sem que isso tivesse grandes repercussões, pois entendia-se que com a melhora econômica, a inserção de todos no sistema capitalista e com ganhos gerais os problemas estruturantes da sociedade brasileira seriam reduzidos.

Acreditaram que a classe média brasileira teria uma formação cultural mais humanista e progressista. Afinal se empenham em campanhas para a preservação da “Edelweiss na Suíça”, mas enquanto isso ignoram no país os índices alarmantes de violência, de genocídio da juventude negra, da perseguição aos LGBT+, do feminicídio, do machismo exacerbado, da destruição do meio-ambiente e tantas outras mazelas. Entretanto, a opção para a classe média sempre foi a construção de muros e condomínios e viver alheia ao país, fingindo morar nos EUA.

O GOLPE foi possível porque os “donos do Poder” se utilizaram do ego da classe média brasileira para desconstruir as conquistas dos governos de 2003 a 2015, quando pela primeira vez no país, em toda sua história, oportunizou as classes sociais mais baixas ascenderem. A ascensão dos mais pobres provocou aos “privilegiados” da classe média quase uma síndrome do pânico, pois começaram a imaginar que seus redutos tradicionais estariam ameaçados - as universidades públicas passaram a ter negros, indígenas e pobres circulando pelos campi, perderam suas empregadas domésticas e os aeroportos ficaram cheios de povo - e mais do que nunca viram o risco real de perderem seu “status” e “diferencial” em relação a essa “ralé” tão brasileira.

É interessante observar como os advindos da classe média não se reconhecem como brasileiros e menosprezam tudo que venha da cultura popular, que seja originário do povo, possuem o intenso anseio de serem vistos como estrangeiros. Sequer reconhecem que descendem de migrantes pobres, os quais vieram tentar sobreviver e dar melhores condições de vida aos seus, uma vez que em seus países não possuíam condições econômicas e dignas para um futuro de tranquilidade e seguridade.

Hoje muitos dos descendentes de europeus e asiáticos pobres se vêm como parte de uma oligarquia e, fazem questão de negar a nacionalidade brasileira. Quem pode, gasta grandes quantias de dinheiro para apenas ter um passaporte outro que o faça sentir-se distante desta terra onde nasceu, vive e que acolheu seus ancestrais.

Na verdade, acreditar que a classe média brasileira aceitaria a ascensão das classes mais baixas foi o grande equívoco cometido pelos governos de esquerda, ignoraram mais de 500 anos de um processo cultural racista, oligárquico e de profunda desigualdade social. A ampliação das oportunidades para todos, o que beneficiou a própria classe média, não foi o suficiente, principalmente, para os que creem serem os detentores de “direitos naturais” – nada mais que privilégios - aos quais o populacho não pode ter acesso, em nome de uma suposta “meritocracia”.

Chega de falar em erros! O que ocorreu foi um GOLPE, o qual foi exitoso, justamente, porque a oligarquia brasileira conhece bem os anseios de uma classe média, a qual deseja fazer parte da classe alta, e historicamente, se subjuga a ela, lambendo suas botas para manter-se em suas pequenas posições, imaginando serem nobres europeus em terras estranhas, superiores à “gente da terra”.

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