Não se enganem: loucura não tem método; se tem método, não é loucura

O jornalista Luís Costa Pinto escreve sobre a grotesca dança da família Queiroz no hospital Albert Einstein que espalhou-se numa onda de indignação nas redes sociais e a resposta de Jair Bolsonaro a ela: "o presidente respondeu atacando: criou um post estúpido - estúpido, criminosamente acintoso - tentando unir PCC e CV na crise de segurança pública do Ceará ao MST e ao MTST"

Não se enganem: loucura não tem método; se tem método, não é loucura
Não se enganem: loucura não tem método; se tem método, não é loucura

Por Luís Costa Pinto, do Jornalistas pela Democracia - Hoje, logo cedo, a internet foi impactada com o escárnio da dança de Queiroz, mulher e filha, todos de laranja, no Einstein, dando uma traulitada na cara do Brasil, dos brasileiros, da Justiça e do Ministério Público.

Um nojo. A bolsolândia torceu, em silêncio, para que a repercussão fosse ínfima. Perderam, os playboys: as redes sociais fermentam, indignadas. Inclusive as deles. Queiroz, mantenedor da família Bolsonaro, pagador de cheque a Michele, é um fio desencapado a ameaçar a família e o Palácio. No meio da tarde, diante da repercussão, os advogados de Queiroz deram uma resposta pedestre. O Einstein, que deve explicações, calou. A bolsolândia calou.

E Bolsonaro? Ora, o presidente respondeu atacando: criou um post estúpido - estúpido, criminosamente acintoso - tentando unir PCC e CV na crise de segurança pública do Ceará ao MST e ao MTST.

Por que ele fez isso hoje, sábado à tarde? Por estratégia diversionista. Quer criar um burburinho, um buzz, uma onda de indignação (justificada) a seu post nos partidos e movimentos de oposição e desviar o foco do escândalo de Queiroz - o laranja.

As duas coisas são criminosas.

O evento Queiroz derrete a popularidade e a credibilidade de Bolsonaro e de seus filhos na turma dele. Uma coisa e outra têm de ser tratadas com a mesma intensidade de repercussão.

A estratégia diversionista de Bolsonaro está no manual de ações em redes sociais de Steve Banon. Foi usada por Trump em 2016, na campanha, e ao longo dos dois últimos anos. Agora, como a mídia tradicional americana redobrou a vigilância e passou a conhecer os métodos trumpistas (copiados aqui), não funcionam mais.

Sigamos sem arrefecer a cobrança a Queiroz e ao Einstein.

E passemos a esconjurar a falta de responsabilidade política e de qualquer traço de maturidade em um presidente que tuíta como se fosse um parvo assessor dos próprios filhos.

Se há um burro zurrando nessa história ele despacha no Planalto e veste a faixa por cima da bolsa de colostomia.

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