Narrativas requentadas e o veto ao fundão

Sem plataforma e agenda positiva de governo, resta a Bolsonaro requentar as narrativas que o elegeram, na tentativa de reacender o processo de mitificação, conquistado nas pautas conservadoras e nos ataques a movimentos pelos direitos das minorias

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Em seu cercadinho, Bolsonaro desabafou e alertou seus seguidores sobre os perigos de um provável retorno de Lula à Presidência. Com a verve ideológica da campanha, disse que Lula é ameaça para a família e religião. 

Reafirmou a necessidade do cidadão ter posse de uma arma porque, em sua visão, uma ditadura só é possível se a população estiver desarmada, retomando o velho discurso anticomunista e contra o MST. 

Atacou governadores e prefeitos que “agiram somente em função de seus interesses” quando fizeram lockdown. Elogiou as medidas governamentais na pandemia, comparou o auxílio emergencial com o Bolsa Família. 

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Sempre com Lula na ponta da língua, Bolsonaro mostrou indignação com as pessoas que querem a volta do petista, disse que ele arrebentou o Brasil, vivia tirando fotos com Fidel, Chaves e Maduro, visitava Cuba e Venezuela constantemente. 

“O pessoal esqueceu o que Lula e Dilma fizeram contra o Brasil? O pessoal esqueceu a questão da ideologia de gênero, o currículo escolar, o Haddad ficou doze anos no ministério da educação, só fez besteira lá, tem um projeto Paulo Freire que deseduca todo mundo. Os caras ficaram quatorze anos no poder e a molecada saiu na nona série sem saber tabuada” – emendou. 

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Ironizou o fato de, mesmo tendo tomado as duas doses da Coronavac, “cumprimentado as pessoas com o braço, ter usado máscara e passado talquinho pom pom no bumbum”, o governador João Dória foi reinfectado.  

Sem plataforma e agenda positiva de governo, resta a Bolsonaro requentar as narrativas que o elegeram, na tentativa de reacender o processo de mitificação, conquistado nas pautas conservadoras e nos ataques a movimentos pelos direitos das minorias. 

Depois de desobstruir o intestino, e para engrossar o caldo da dieta, vai usar o veto de R$ 5,7 bi do fundo partidário, aprovado no Congresso com votos de sua base, para tentar resgatar a confiança de parte do eleitorado perdido, sob os olhares e bolsos do Centrão. 

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