Nem tudo o que Joesley delatou é verdade

Tem coisa estranha aí. Todos que viram os desdobramentos do impeachment pela TV sabem que Bacelar nunca atuou a favor de Dilma, ao contrário, sempre fez parte da tropa de choque de Eduardo Cunha e votou contra a sua cassação, inclusive. Se pediu dinheiro a Joesley alegando precisar comprar deputados pró-Dilma, a sua intenção deve ter sido espalhar a mentira de que votos pela permanência de Dilma estavam sendo comprados

Tem coisa estranha aí. Todos que viram os desdobramentos do impeachment pela TV sabem que Bacelar nunca atuou a favor de Dilma, ao contrário, sempre fez parte da tropa de choque de Eduardo Cunha e votou contra a sua cassação, inclusive. Se pediu dinheiro a Joesley alegando precisar comprar deputados pró-Dilma, a sua intenção deve ter sido espalhar a mentira de que votos pela permanência de Dilma estavam sendo comprados
Tem coisa estranha aí. Todos que viram os desdobramentos do impeachment pela TV sabem que Bacelar nunca atuou a favor de Dilma, ao contrário, sempre fez parte da tropa de choque de Eduardo Cunha e votou contra a sua cassação, inclusive. Se pediu dinheiro a Joesley alegando precisar comprar deputados pró-Dilma, a sua intenção deve ter sido espalhar a mentira de que votos pela permanência de Dilma estavam sendo comprados (Foto: Alex Solnik)

Acabei de ouvir um trecho da delação de Joesley Batista a procuradores da força tarefa que o investiga que não bate com a realidade.

Não que o dono da JBS tenha mentido.

Ele contou que o deputado João Bacelar (PR-BA) pediu dinheiro "para comprar deputados contra o impeachment da Dilma".

E ainda definiu um número: 30 deputados. A 5 milhões por cabeça.

Bacelar é conhecido por enfiar jabutis em MPs e já foi delatado pela Odebrecht.

Joesley fez uma contraproposta: toparia comprar 5 deputados, a 3 milhões cada um.

Regateou o preço dos deputados como regateia o preço das cabeças de gado que compra.

Bacelar achou pouco, precisava de 30 votos, mas não teve jeito: fechou de acordo com a proposta de Joesley.

O empresário pediu a Bacelar a lista dos deputados "comprados" para poder conferir no dia da votação se foram fiéis, mas não a guardou lista, nem se lembra de nenhum nome, o que elimina a possibilidade de checar a história com os deputados "comprados".

O procurador ainda insistiu, perguntou se ele reconheceria os deputados "comprados" assistindo a um tape da votação. Joesley refugou.

Tem coisa estranha aí. Todos que viram os desdobramentos do impeachment pela TV sabem que Bacelar nunca atuou a favor de Dilma, ao contrário, sempre fez parte da tropa de choque de Eduardo Cunha e votou contra a sua cassação, inclusive.

Se pediu dinheiro a Joesley alegando precisar comprar deputados pró-Dilma, a sua intenção deve ter sido espalhar a mentira de que votos pela permanência de Dilma estavam sendo comprados.

E aumentar a fama de corruptos dos petistas.

Ou Joesley passou a lorota pra frente por ser ingênuo (bem informado que é, deveria saber que Bacelar não era aliado do PT) ou não entendeu que ele pretendia comprar deputados pró-impeachment.

De qualquer modo, o que ele contou – e que a mídia está repercutindo como verdade – não resiste à menor análise.

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