No país do contrário, quem faz greve é o patrão

 Essa é nossa situação: o movimento grevista mais bem-sucedido acredita que Temer é socialista demais e continuam odiando o PT e todas as centrais sindicais. E a esquerda, massacrada pelo golpe, continua carimbando dinheiro e fazendo tuitaço

 Essa é nossa situação: o movimento grevista mais bem-sucedido acredita que Temer é socialista demais e continuam odiando o PT e todas as centrais sindicais. E a esquerda, massacrada pelo golpe, continua carimbando dinheiro e fazendo tuitaço
 Essa é nossa situação: o movimento grevista mais bem-sucedido acredita que Temer é socialista demais e continuam odiando o PT e todas as centrais sindicais. E a esquerda, massacrada pelo golpe, continua carimbando dinheiro e fazendo tuitaço (Foto: Guilherme Coutinho)

Greve, locaute, lock out, não importa a terminologia. O importante é que o paro dos caminhoneiros está levando, rapidamente, o país ao caos. Enquanto a população sofre em longas filas para abastecer o tanque a preço de ouro, o governo corre para conseguir atender rapidamente as demandas da categoria. O que presumidamente seria uma vitória da classe trabalhadora contra um governo corrupto, é, na verdade, mais um exemplo do pandemônio que virou o Brasil-pós-golpe: quem parou foi o patrão. E as pautas, ao invés de atender reivindicações da classe trabalhadora, visam promover ideais de extrema-direita, como a volta da ditadura.

Os donos de caminhão, de frotas e de transportadoras, que comandam o movimento, não estão protestando pela alta dos combustíveis. A reivindicação diz respeito apenas ao preço do diesel, ignorando a gasolina e o álcool, utilizados pela população. Ainda assim, eles dão a fórmula para baixar o preço: querem redução dos impostos, pauta antiga defendida por todo o setor empresarial, não apenas da área de transportes. A outra pauta do movimento é a volta da ditadura militar, algo temeroso, e que, a cada dia, parece ficar mais próxima da nossa realidade. Como a própria esquerda deveria saber, movimentos organizados e unidos em torno de um ideal, costumam sair vitoriosos.

Do outro lado do espectro ideológico, a esquerda, outrora aguerrida e lutadora, parece assistir, deitada em berço esplêndido, à apropriação da direita de sua principal estratégia. Houve muitas ameaças de greve geral, de fechamento de estradas e protestos, da deposição de Dilma à prisão de Lula. Infelizmente, mesmo contando com a maioria dos movimentos sociais e sindicais, as ameaças não se concretizaram. Sem união e ação, o resultado foi um golpe atrás de outro.

O preço dos combustíveis é resultado de uma política liberal, implementada pelo tucano Pedro Parente. Mas, para os caminhoneiros, é fruto da política "comunista" do temer. Essa é nossa situação: o movimento grevista mais bem-sucedido acredita que Temer é socialista demais e continuam odiando o PT e todas as centrais sindicais. E a esquerda, massacrada pelo golpe, continua carimbando dinheiro e fazendo tuitaço.

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