Nove meninos de Paraisópolis: quem cala sobre teus corpo consente nas tuas mortes

A justiça só reinará em nosso pais quando não houver o silêncio e apoio do cúmplice ao barulho do assassino que prega como pregou um PM em Paraisópolis: “Vai morrer todo mundo”

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Ao abordar o massacre da Favela Paraisópolis o jornalista Fernando Brito, Tijolaço, lembrou em texto os versos de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos da música “Menino”: “quem cala sobre teu corpo/consente na tua morte”.

É, Fernando, tem gente que se cala, tem quem comemore, mas tem quem se levanta, grita, berra e chora contra mais este massacre a jovens pobres.

O texto do jornalista “Paraisópolis não será enterrada com seus mortos“, me levou a buscar a candente interpretação de Elis Regina, onde seu grito final é como se fosse o grito das nove mães dos massacrados na Paraisópolis.

Fui buscar também de Milton Nascimento, mas neste caso com Fernando Brant,  “Coração Civil”, que prega um mundo “Sem polícia, nem a milícia, nem feitiço (…)  Quero a utopia, quero tudo e mais / Quero que a justiça reine em meu país“.

A justiça só reinará em nosso pais quando não houver o silêncio e apoio do cúmplice ao barulho do assassino que prega como pregou um PM em Paraisópolis: “Vai morrer todo mundo”.

Paraisópolis, que nome mais contraditório para o mundo em que vivemos, onde só por nascer pobre, negra, a pessoa  já traz pregado na testa o prontuário de criminosa.

Sim, Fernando Brito, tomara que Paraisópolis não seja enterrada com seus mortos. Depende de nós.

Para tanto, temos muito o que lutar para que a utopia vença: “Quero a liberdade, quero tudo e mais / Quero ser amizade, quero amor, prazer / Quero nossa cidade sempre ensolarada / Os meninos e o povo no poder, eu quero ver

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