Nudez grotesca, imoralidade e hipocrisia de certa elite e seus capatazes

Não podemos permitir que mais um caso apenas nos cause ocasional escândalo e comoção, frequente o noticiário por alguns dias, para depois desaparecer no esquecimento

O Brasil 247 nos traz um furo de reportagem, envolvendo familiares próximos do prefeito do Rio de Janeiro, em que possivelmente, ou supostamente, pois há indícios robustos, flagra um "hábito" já bastante conhecido de uma parte da nossa elite: a expropriação da riqueza nacional e o envio desta para paragens tranquilas e seguras além-mar, os chamados paraísos fiscais. Mas as coisas não são tão simples como se nos apresentam, desgastadas que estão pelo uso e abuso. E não podemos permitir que mais esse caso apenas nos cause ocasional escândalo e comoção, frequente o noticiário por alguns dias, para depois desaparecer no esquecimento ou ser "atropelado" pelo escândalo do dia, mais fresco e que vende mais.

Um caso semelhante, não nas suas ramificações, mas em suas raízes, ao famigerado e não menos afamado esquema de "caixa 2" que condenou notáveis lideranças petistas – também, quem mandou ser petista?! – a penas privativas de liberdade, apesar de se tratar, como se sabe, de um crime eleitoral previsto no nosso ordenamento jurídico.

Essa nova matéria do Brasil 247 traz à luz mais um "artifício" que alguns caciques partidários lançam mão para o financiamento da sua atividade política e de seus correligionários: desvio de recursos remetidos/depositados em paraísos (fiscais). Não esquecendo, claro, e não nos disfarcemos de ingênuos, dos casos "clássicos" nos quais o "pedágio" ou "caixinha" serve, pura e simplesmente, para enriquecimento pessoal de indivíduos ou famílias.

Tivemos também, não poderia faltar aqui, o chamado "mensalão mineiro" – que só não é tucano, nem poderia ser, não nos iludamos, nas páginas da nossa grande imprensa de negócios. Também este, um caso de "caixa 2", tal qual o outro, o petista, porém anterior a este, como todos sabemos. E este decerto não resultará em condenação, muito menos prisão, pois a lei, como também sabemos, é um instrumento das elites para punir e encarcerar pobres, pretos, putas e... petistas. Mas, para esta elite, dá no mesmo: são todos a mesma "gentalha" ignóbil.

[Portanto, façamos as malas! Pois as "Papudas", Brasil afora, aguardam a muitos de nós.]

Tivemos ainda o caso, recentemente divulgado, mas já há muito descoberto e denunciado, do apelidado "trensalão tucano", no qual grandes corporações transnacionais pagaram propinas aos operadores dos esquemas marginais de financiamento de campanha de políticos do PSDB. Mas como esse partido serve hoje como uma espécie de capataz da banda mais sórdida de nossas elites, seus parlamentares, governantes e correligionários poderão desviar recursos à vontade e cometer crimes eleitorais ao seu bel prazer, que não serão jamais incomodados pela grande mídia ou pela Justiça. Esses dois últimos outros, também, reles capatazes a serviço daqueles que se acham os "donos do Brasil".

Esses deploráveis episódios da nossa realidade política trazem em si alguns "efeitos colaterais", para muito além da "escandalização" falso-moralista dos novos udenistas de ocasião – alguns desses "efeitos" nem tão óbvios e aparentes assim. Citarei apenas dois:

Primeiro, num plano mais superficial e imediato, a desmoralização da política e da democracia. Mas isso apenas, como disse e reforço, num plano mais superficial e imediatista, pois, no longo prazo, irá resultar na melhoria do sistema político e, por conseguinte, da nossa jovem democracia, através de uma inadiável reforma política que, muito em breve, oxalá as multidões das jornadas de junho irão incorporar em sua vasta pauta de reivindicações.

Em segundo lugar, e num plano mais grave, "definitivo", pois revelador, a elite está, com esses acontecimentos, despindo-se do seu imundo véu de "puta pudica" e exibindo as suas vergonhas em praça pública [vale lembrar ainda, por falar em "pudica", o ventilado caso de sonegação das Organizações Globo].

Assim, aos poucos, a população mais pobre, e também as classes médias, estão se dando conta que essa elite conservadora, egoísta e falso moralista que aí está não está à altura de liderar o país na sua marcha rumo ao desenvolvimento sustentável com mais justiça social, qualidade de vida e bem-estar para os seus cidadãos. Pois este, afinal, é desnecessário lembrar, deve ser o fim de toda sociedade.

Pouco a pouco essa verdade, que já não se pode sonegar, ocultar está emergindo dos subterrâneos.

Pouco a pouco estamos despindo os mais variados e grotescos disfarces e fantasias dos nossos "reizinhos de hospício" desse império caduco que, finalmente, ao que parece, está conhecendo a sua ruína.

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