Nunca antes neste país um deputado ganhou tanto dinheiro quanto Cunha

eduardo cunha
eduardo cunha (Foto: Alex Solnik)
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Tenho quarenta anos de jornalismo, posso fazer comparações.

Durante a ditadura as informações eram escassas, sussurradas pelos cantos... “a comissão de Delfim é 6%”... “negócios nebulosos rondam o gabinete do general Golbery do Couto e Silva”.

Claro que deviam rolar transações por baixo do pano que a censura não deixava publicar, mas nunca ouvi falar de um deputado que tenha ganho tanto dinheiro quanto Cunha.

As cifras já chegam a 68 milhões. Na sua garagem há Porshes e BMW. Nenhum item da sua vida é compatível com salário de deputado. Ou de presidente da Telerj, nos anos 90, nomeado por Collor.

A concorrência é grande na hora de eleger qual político ganhou mais dinheiro no Brasil.

A lista começa por Adhemar de Barros, que segundo tudo indica, foi o pioneiro na categoria “rouba, mas faz”, nos anos 50.

Quem o pegou no flagra foi o então procurador do Estado de São Paulo Hélio Bicudo. As acusações eram modestas – teria levado urnas marajoaras para decorar sua casa. Mas era público e notório que cobrava de todo empresário com negócios com o Estado “doações para obras de caridade da dona Leonor” e ele fez grande obras não caridosas, como a Via Anchieta e o Hospital das Clínicas. E acabou dono de meio bairro do Morumbi, o mais caro de São Paulo.

Para acabar com a “roubalheira” do Adhemar, surgiu seu inimigo público mais agressivo, Jânio Quadros, que prometia varrê-la com sua vassoura. Mas era uma vassoura de bruxo, na qual Jânio montou para chegar a Brasília, onde foi pivô da maior crise nacional desde a morte de Getúlio ao renunciar em meio a um porre cívico.

Na campanha de 1985 a prefeito de São Paulo, com a vassoura já encostada num canto da cozinha, recebia pessoalmente cheques de empresários em sua casa, rasgando na frente deles os de pequeno valor. E, reza a lenda, morreu sem ter passado à família os números de sua conta na Suíça.

Tanto Adhemar quanto Jânio ganharam dinheiro, mas foram governadores, prefeitos, presidentes. E não apenas deputados, como Cunha.

Maluf não era apenas um sujeito, mas um verbo. A sua fama vem dos tempos da ditadura, quando se enturmou com o general Costa e Silva e ganhou a presidência da Caixa Econômica Federal. Gostava de dar joias de presente, principalmente à mulher do general.

Maluf repete, há muitos anos, que não tem e nunca teve conta na Suíça, mas jamais disse “não ganhei dinheiro na política”.

Collor tinha um pouco de Jânio. Em vez de varrer a roubalheira com vassoura prometeu caçar marajás. Não se sabe quanto dinheiro ganhou nessa caçada além dos 5 milhões de dólares guardados na Operação Uruguai.

Mas, de novo, ganhou dinheiro ocupando o mais alto posto da nação, e não a cadeira de um deputado.

Outros políticos ganharam muito dinheiro sendo apenas políticos, sem jamais terem sido incomodados pela Justiça, tais como Quércia, que deixou uma herança para no mínimo três gerações.

Nenhum desses campeões em matéria de ganhar dinheiro na política, no entanto, é páreo para Cunha.

Se ele fosse apenas um dos silenciosos ocupantes de uma das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados teria máculas em sua biografia (e talvez na sua alma). E só.

Mas, como é o presidente da Casa, a mácula não é só dele, é da instituição. Enquanto ele for o presidente.

Ao alcançar a marca de “o deputado que mais ganhou dinheiro na história do Brasil”, ele bate um recorde e transforma seus amigos, aliados e familiares em cúmplices.

Cunha ostenta outro recorde inconteste: atualmente é a maior vergonha nacional. 

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