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Oliveiros Marques

Sociólogo pela Universidade de Brasília, onde também cursou disciplinas do mestrado em Sociologia Política. Atuou por 18 anos como assessor junto ao Congresso Nacional. Publicitário e associado ao Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (CAMP), realizou dezenas de campanhas no Brasil para prefeituras, governos estaduais, Senado e casas legislativas

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Nunes Marques estreia mal no TSE

Nunes Marques estreia no TSE sob críticas após suspender pesquisa eleitoral do AtlasIntel

Kassio Nunes Marques (Foto: Luiz Roberto/TSE)
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A decisão do ministro Kassio Nunes Marques de suspender a divulgação de uma pesquisa eleitoral do instituto AtlasIntel lança uma sombra preocupante sobre o ambiente democrático às vésperas da disputa de 2026. Mais do que os efeitos imediatos sobre uma sondagem específica, chama a atenção a fragilidade dos argumentos utilizados para justificar uma medida tão excepcional.

Segundo informações amplamente divulgadas, um dos questionamentos dizia respeito à apresentação de áudios relacionados a fatos políticos envolvendo pré-candidatos. Ocorre que tais conteúdos teriam sido exibidos apenas ao final do questionário, depois que os entrevistados já haviam respondido às perguntas sobre intenção de voto. Como, aliás, o Tribunal já sabia que seria feito, pois o questionário fora apresentado com antecedência à Corte e nada foi questionado. Sendo assim, torna-se difícil sustentar que os áudios tenham influenciado os resultados captados pela pesquisa. Afinal, uma informação apresentada após a coleta das respostas não poderia alterar aquilo que já havia sido registrado.

O debate sobre metodologia é legítimo e necessário. Institutos de pesquisa devem ser transparentes, rigorosos e submetidos ao escrutínio público. Entretanto, a intervenção judicial para impedir a divulgação de resultados exige fundamentos robustos e inequívocos. Não se trata apenas da reputação de uma empresa, mas do direito da sociedade de ter acesso a informações que ajudam a compreender o cenário político.

Mais surpreendente ainda foi a utilização de outro argumento: o fato de o diretor do instituto ter concedido entrevistas comentando a própria pesquisa. Ora, comentar resultados é uma atribuição inerente à atividade de quem dirige e realiza levantamentos de opinião. Pesquisas não são documentos que surgem do nada. Elas são elaboradas por profissionais que frequentemente explicam metodologias, contextualizam números e respondem a questionamentos da imprensa.

Confundir a explicação técnica ou a análise dos resultados com uma demonstração de parcialidade representa um salto lógico difícil de acompanhar. Se esse raciocínio fosse levado às últimas consequências, praticamente qualquer pesquisador que explicasse seu trabalho poderia ser acusado de comprometimento político. O problema não está em comentar uma pesquisa, mas em manipulá-la. E uma coisa está longe de ser prova da outra.

É evidente que toda pesquisa eleitoral trata de política. Ninguém jamais afirmou o contrário. O fato de um instituto atuar em um ambiente político não significa, automaticamente, que seus números sejam produzidos com intenção de favorecer ou prejudicar candidatos. Entre reconhecer a natureza política do tema e concluir pela existência de viés tendencioso, existe uma distância enorme que precisa ser preenchida por evidências concretas.

Por isso, a decisão causa preocupação. O Tribunal Superior Eleitoral terá papel decisivo na garantia da lisura e da credibilidade das eleições de 2026. De seus integrantes espera-se equilíbrio, prudência e compromisso absoluto com a neutralidade institucional. Quando medidas restritivas são adotadas com base em fundamentos que parecem discutíveis, abre-se espaço para dúvidas que não interessam à democracia.

Ninguém está acima de críticas, nem institutos de pesquisa nem magistrados. Mas, justamente por ocupar posição tão relevante no processo eleitoral, o TSE deve agir com especial cautela. A suspensão de uma pesquisa é um ato grave. E, neste episódio, a impressão deixada é a de que a estreia de Nunes Marques naquilo que dele se espera — a garantia de neutralidade na arbitragem eleitoral de 2026 — ficou aquém das expectativas.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

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