O amor e o ódio em São Paulo

A vitória de Lula, candidato derrotado em três eleições até então, foi um basta que a população brasileira deu a um modelo de governo focado simplesmente em economia

A vitória de Lula, candidato derrotado em três eleições até então, foi um basta que a população brasileira deu a um modelo de governo focado simplesmente em economia
A vitória de Lula, candidato derrotado em três eleições até então, foi um basta que a população brasileira deu a um modelo de governo focado simplesmente em economia (Foto: Rafael Kobota)

Tivemos a eleição mais disputada desde 1989, quando Collor derrotou Lula na volta da democracia. Aécio Neves, neto de Tancredo, foi o candidato do PSDB que mais próximo esteve de vencer o PT desde a ascensão de Lula em 2002.

Muitos reclamam do tempo que o PT está governando o país, mas se esquecem do porquê ele chegou lá. Para entender, é preciso voltar a 2002. A vitória de Lula, candidato derrotado em três eleições até então, foi um basta que a população brasileira deu a um modelo de governo focado simplesmente em economia. Era comum noticias envolvendo empréstimos junto ao FMI (Fundo Monetário Internacional), aumento da dívida externa, alta taxa de juros, desvalorização do salário mínimo e desemprego.

Mas o que mais incomodava mesmo eram as notícias sobre desigualdade e pobreza que nos fazia sentirmos inertes, diante de tanta coisa errada aos olhos do ser humano sem que o governo nada fizesse para resolver. A seca no nordeste, o povo exprimido em favelas, a infância abandonada. Era preciso ajudar o próximo, votar com coração, mesmo reconhecendo o feito do plano real.

E assim chegou ao poder o PT. E para os que ainda o viam como radical, a grande surpresa. Dois governos com alta taxa de aprovação. A economia indo bem e o melhor, sem deixar de lado as políticas sociais.

Deixar de lado todas estas conquistas não era uma escolha. E assim Dilma venceu com facilidade em 2010 sobre a mística de ser uma boa gestora, sem o carisma de Lula, mas com a capacidade de tocar o país tal como fez com o PAC.

Para muitos paulistas, ficou um sentimento que poderiam ter avançado um pouco mais, após constatar que a Presidente Dilma não conseguiu repetir o desempenho do ex-presidente Lula em questões estratégicas. Economia desacelerada, gastos para realização da copa do mundo e uma cobertura exaustiva de fatos reais de casos de corrupção, mas principalmente, de uma onda de denuncismo os quais criaram um sentimento de ódio cego o qual atingiu até setores da esquerda como os movimentos sociais.

O chamado 3° turno parece em curso. Candidatos que ainda nem tomaram posse discursam pregando a separação do estado, incentivando ainda mais entre os paulistas que depositaram votos em Aécio a intolerância tão nociva à democracia do Brasil. Mas pelo mesmo motivo que reelegem Alckmin, muitos brasileiros, não só do nordeste, acharam mais seguro seguir em frente ao colocar na balança questões importantes.

São Paulo com metrô lotado, estupros a cada hora, professores apanhando em sala de aula, policiais assassinados fora de serviço,fatos com menos percepção entre os moradores do interior do estado até que veio a crise hídrica. Ao depositar votos na candidatura de Alckmin, a impressão que os munícipes do interior tiveram foi que programas como as Etecs e Fatecs, o AME e o Poupa Tempo valem o risco.

Igualmente, a maioria opta por Dilma não só pelo Bolsa Família. Jovem que faz PRONATEC, o adulto que sempre quis fazer uma faculdade e hoje consegue através do PROUNI, o morador da periferia que antes ia ao posto de saúde e não era atendido, pois ninguém queria trabalhar lá e hoje, tem um estrangeiro lhe tratando de uma forma que antes nunca tinha experimentado: com respeito. E o melhor, acabaram as "viroses".

Enfim, cada um pode escolher ver o copo meio cheio. É preciso discernimento do que é notícia e o que é só mais um movimento do "quanto pior melhor".

A Presidenta Dilma, em seu primeiro discurso após eleita, afirmou que buscará fazer um governo melhor, com diálogo com a oposição em favor do Brasil. Se comprometeu com a "chave" para diminuir a corrupção que é a reforma eleitoral. Aos que tentaram um novo caminho, reservo-me no direito de dar um conselho: procurem seus deputados federais. São eles que podem ajudar no Congresso a votar em uma agenda positiva em favor daquilo que o Brasil precisa. Menos ódio, mais amor pelo Brasil.

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