O antibolsonarismo avança e se torna o maior movimento político do país

"O antibolsonarismo está se tornando a grande novidade da política. E se isso vier a ocorrer tudo que vier a acontecer desde já até a eleição de 2022 será pautado por isso", escreve Renato Rovai

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa - PR)
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Na coluna anterior, escrevi que a popularidade de Bolsonaro estava sofrendo o maior ataque especulativo desde que o facínora assumiu o governo. E que a catástrofe de Manaus tinha potencial para levar ao seu processo de impeachment. A profecia parece estar se cumprindo mais rapidamente do que o esperado. Bolsonaro está conseguindo juntar antigos adversários e até inimigos políticos no mesmo campo, o do antibolsonarismo.

Desde o Psol, passando pelo PT, Ciro Gomes, Rede, PSB, Doria e seu PSDB, César Maia, Luciano Huck, MBL, Vem para Rua, Globo e sites progressistas até boa parte dos governadores e prefeitos que já não suportam tanta pressão por conta dos atrasos do governo federal em iniciar o processo de vacinação e criar uma política integrada de combate ao Covid-19.

Não se trata de um novo campo político, mas de um anticampo político. Psolistas e a turma de Kim Katiguri e nem petistas e Luciano Huck irão se abraçar na avenida dançando a mesma música. Há diferenças imensas neste grupo que não serão superadas nem com o tempo. Mas há um denominador comum que vem crescendo aos poucos e que após a tragédia de Manaus se consolidou, o antibolsonarismo e a palavra de ordem impeachment já.

Quase todo este imenso grupo que vai de setores da extrema-direita à extrema esquerda há algum tempo já está na oposição à Bolsonaro. Mas poucos se posicionavam a favor do impeachment e também não expressavam suas posições com ódio nas palavras em relação ao presidente.

E isso se modificou.

Há uma cristalização nesse anticampo político de que é preciso retirar com urgência Bolsonaro da presidência porque ele é uma estrovenga, um criminoso, um nefasto, um facínora e por aí vai. É nesses termos que as pessoas se referem a ele depois que, entre outras coisas, artistas mobilizados nas redes conseguiram ser mais rápidos que o governo federal para enviar cilindros de oxigênio a Manaus e salvar pessoas que estavam morrendo asfixiadas nos corredores dos hospitais.

As cenas de médicos improvisando oxigênio com garrafas de água mineral, os relatos de pessoas vendendo tudo para salvar seus familiares, as lágrimas de quem perdeu filho, pais avós, tudo isso se tornou aquela gota de água que transbordou o copo.

O copo do antibolsonarismo não se encheu completamente neste episódio. A água já estava chegando ao limite faz algum tempo mesmo com ele mantendo sua popularidade em torno de 30% a 35% de ótimo e bom. Mas o que está acontecendo em Manaus, somado com a falta de seriedade com a vacinação, fizeram o copo vazar.

É neste momento que a oposição de esquerda tem que ser competente para conseguir vitórias tanto no parlamento quanto nas lutas sociais. A esquerda precisa ter clareza que um movimento antibolsonaro não é um projeto político para depois de sua vitória. É uma ação para derrubar o avanço do Brasil para se tornar uma sociedade governada por milícias e policias aparelhadas pela extrema-direita.

As próximas pesquisas de opinião pública sobre a popularidade do presidente serão fundamentais para se saber o quanto este antibolsonarismo significou perda de aprovação ao presidente. Pode ser que num primeiro momento apenas se cristalize um anticampo e não uma debandada geral daqueles que o apoiavam para a oposição.

Mas se porventura isso vier a acontecer com o ótimo e bom caindo para patamares em torne de 25% ou menos, 2021 pode vir a ser um ano bem diferente do que se previa.

O antibolsonarismo pode se tornar a grande novidade da política. E se isso vier a ocorrer tudo que vier a acontecer desde já até a eleição de 2022 será pautado por isso.

Não é algo desprezível e significa de alguma maneira também o arrefecimento do antipetismo. Porque muitos perceberão que, sim, poderia ser pior. Muito pior.

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