O atraso das cabeças monetaristas

O que se apregoa mundo afora é que, numa paradeira como a atual, gastos, déficit público e dívida constituem o menor dos problemas, pois o ritmo da atividade econômica encontra-se aniquilado



Por Paulo Henrique Arantes

O governo tem que esquecer a preocupação exagerada com a política fiscal. Quem diz isso são os próprios formuladores de política econômica ligados ao establishment – ao FMI, ao Banco Mundial, a Estados Unidos, União Europeia, Japão, Canadá. O que se apregoa mundo afora é que, numa paradeira como a atual, gastos, déficit público e dívida constituem o menor dos problemas, pois o ritmo da atividade econômica encontra-se aniquilado. 

O argumento de que gastar mais e aumentar a dívida criaria inflação não é verdadeiro neste momento – o aumento momentâneo da inflação nada tem a ver com demanda ou atividade econômica. Mesmo lá na frente, a manutenção do teto de gastos, por exemplo, será burra, porque limita a capacidade de o Estado funcionar como multiplicador de gastos, algo fundamental do ponto de vista da ativação econômica, independentemente da pandemia.

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Há quase um consenso, e os divergentes estão praticamente deslocados à condição de folclóricos.

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Cabe ao gestor governamental conceber e implantar meios de tornar a saída da pandemia, quando vier, menos dolorosa. Por ora, a equipe econômica aboletada em Brasília não teve qualquer ideia criativa. O que se ofereceu para que empresas de pequeno e médio porte mantivessem seus empregados teve baixa procura.

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O sistema bancário, essencial em qualquer país no capitalismo contemporâneo, sempre esteve muito acomodado no Brasil, especialmente os bancos privados. Sua principal fonte de receita era proporcionada pela gestão da dívida pública, pelas taxas oficiais extremamente elevadas e pela absoluta falta de controle do Banco Central sobre suas taxas de spread e tarifas. 

A única forma de se contrapor a isso é usar os bancos públicos para estabelecer concorrência, fazendo com que operem em condições mais favoráveis para a população e para as empresas, com juros e tarifas mais baixos, aceitando a tarefa de operar fundos e linhas de financiamento que não despertam interesse junto aos bancos privados.

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Nada disso acontecerá com Paulo Guedes à frente da economia. Como é notório, se dependesse apenas do ministro os bancos públicos seriam todos privatizados.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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