O Brasil como objeto de estudo

O que se viu foi sabotagem contra o servidor público, o microempreendedor, à democracia, entrega da soberania a outros povos e a beligerância contra governadores e prefeitos que estão na ponta da linha, sem a presença do governo. A interdição de Bolsonaro torna-se ainda mais urgente para evitar a hecatombe que está em andamento

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O Brasil será um eterno e recorrente objeto de estudos da pandemia mundial, de 2020. Seus conteúdo e forma renderão teses, filmes, livros, artigos, sob diversos campos da ciência, desde o médico ao sociológico, passando pelo histórico, farmacêutico, filosófico, econômico e o sanitário. Porém, em qualquer uma das abordagens, devido à maneira como a pandemia é tratada por quem pode e deve fazer alguma coisa, tem-se a certeza de que o pano de fundo para contextualizar qualquer uma das peças produzidas, será a política. O combate à pandemia é feito, principalmente, com política. Sem ela, o equipamento e o medicamento não chegam aos médicos.

O Brasil será o exemplo, para todos os países, de como não agir para proteger a vida a população, principalmente, e a economia. Afora as palavras chulas e grosseiras que não valem um comentário, da dantesca cena protagonizada pelo presidente e seu governo, percebe-se claramente os motivos pelos quais a educação, a saúde, a economia, o meio ambiente e todas as demais áreas do Estado se encontrarem em franco desmonte e processo de paralisação. O Brasil foi entregue a um grupo que conspira abertamente contra o País e sua democracia e defende, com euforia, os interesses da classe dominante, durante uma reunião de trabalho do governo. A virulência e o baixo calão das palavras de Bolsonaro são materializadas nas medidas tomadas por quem, de fato, governa este País, o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Ele detalhou todo o plano da classe dominante para “ganhar dinheiro”, usando recursos público para investir nas grandes companhias, em detrimento das microempresas. Para isso, Guedes empoderou ainda mais os bancos com, por exemplo, a redução da taxa de devolução compulsória, em R$ 200 bilhões. O depósito compulsório é uma parte do valor dos depósitos dos correntistas que um banco deve manter parado. Antes do governo Bolsonaro, esse índice era de 40% . Agora, é de 17%. A conjuntura do PIB mundial é de queda, em 2020. Porém, ao contrário de países internacionalistas e de autoestima elevada, o Brasil é governado por um provinciano empregado dos interesses internacionais, notadamente, os dos EUA. Bolsonaro e Guedes vão usar o prejuízo das empresas para justificar a venda, entregando-as aos bancos. Os banqueiros passaram a ter muito mais dinheiro disponível para isso. Já para os 37 milhões de brasileiros que não conseguem receber o auxílio emergencial, de R$ 600, fome, frio, limitação de higiene e angústia e morte.

A intervenção de Gudes esclareceu o fato de 91% das micro e pequenas indústrias não conseguir acessar algum crédito dentro do R$ 1,2 trilhão que o governo liberou para os bancos, que aumentaram os juros e reduziram os prazos para o pagamento. Afinal, para o ministro do sistema financeiro, esse negócio de salvar microempresa só dá prejuízo. A casa-grande sabe que os micro e pequenos empresários são mais de 90% das empresas do País, geram mais de 50% dos empregos e representa 30% do PIB. Ela não tem ligação alguma com este País e não se importa que toda essa capacidade produtiva de trabalho, renda e desenvolvimento tecnológico avance, mesmo porque isso fere sua hegemonia e faz mover o rancor da consciência da sua inutilidade. A deliberada orquestração da política higenista de destruição e morte dos microempresários será determinante para a análise dos impactos sanitários que o modelo do governo Bolsonaro causará, seja ela feita do ponto de vista farmacológico, ou sociológico.

De um modo geral, a reunião foi a apresentação, sem filtros, das táticas depredação da República. Do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ficamos sabendo do subterrâneo por onde o patriótico governo Bolsonaro as políticas ambientais do Brasil, enquanto a sociedade e a imprensa estão com as atenções voltadas ao combate à pandemia, no sentido de entregar os recursos energéticos ao desenvolvimento de outros povos, que deixará no Brasil um rastro de destruição, sangue e miséria. Da boca de um ministro que diz da Educação, a única frase completa e com sentido foi a sugestão para prender os ministros do STF. Um claro e ostensivo atentado contra o Poder Judiciário, corroborado, em seguida, pelo presidente. A ministra dos Direitos Humanos vocifera contra governadores e prefeitos e pede a prisão deles porque estão nos estados e nos municípios, muito longe dos gabinetes de Brasília, sem saber como enterrar um número cada vez mais crescente de brasileiros ignorados pelo governo Bolsonaro.

Infelizmente, o mais aterrador é que, para todo o Brasil, inclusive para os seus 30% de apoiadores, ficou muito claro que a catástrofe sanitária brasileira será ainda muito mais grave devido às políticas governamentais, expressas na dantesca reunião, na qual se viu de tudo, menos algum interesse de usar todos os instrumentos disponíveis do governo para combater a pandemia, defender a população e administrar uma economia em favor do Brasil. Bolsonaro não falou em geração de empregos, em comprar leitos, UTIs e EPI e proteger quem produz as riquezas da nação. O que se viu foi sabotagem contra o servidor público, o microempreendedor, à democracia, entrega da soberania a outros povos e a beligerância contra governadores e prefeitos que estão na ponta da linha, sem a presença do governo. A interdição de Bolsonaro torna-se ainda mais urgente para evitar a hecatombe que está em andamento, na qual morrerão, principalmente, os pobres.

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