O Brasil de joelhos e aos pés da casa grande de ditames escravocratas

Grupos dominantes sequestram o Estado nacional e fazem dele uma plataforma onde se realizam estratégias e ações para que seja possível dividir o butim das riquezas da Nação, por meio do brutal aumento de preços e concentração de renda

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(Foto: Latuff)


Por Davis Sena Filho

"Eu sempre sonhei em libertar o Brasil da ideologia nefasta de esquerda. O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa. Para depois nós começarmos a fazer. Que eu sirva para que, pelo menos, eu possa ser um ponto de inflexão, já estou muito feliz” — (Jair Bolsonaro em jantar com expoentes da extrema direita dos EUA, a prometer tirar o estado brasileiro do povo, o mesmo povo que sustenta a Nação e paga a muita gente da estirpe e do caráter do ex-capitão do Exército).
"O peso do estado é muito grande. A orientação do presidente desde o início é vamos desonerar, reduzir, simplificar, tirar o Estado do povo brasileiro" — (Paulo Guedes, banqueiro e ministro ultraliberal da Economia, responsável maior, juntamente com Jair Bolsonaro e os generais, pelo entreguismo e situação de bancarrota econômica e calamidade social em que se encontra o País).

Eu sempre compreendi porque as "elites" econômicas e suas diferentes castas de carácteres privatistas e aventureiras governamentais, geralmente oriundas de partidos de direita e da iniciativa privada, a exemplo do fundamentalista de mercado, Paulo Guedes, sempre combateram a independência e a soberania do Brasil, assim como a emancipação plena de seu povo. E são dois os principais motivos de tantos outros: manter eternamente o status quo; e conservar em suas mãos os benefícios e privilégios conquistados a fórceps através dos séculos.

Sempre compreendi, ressalto, por saber perfeitamente que temos em terras brasileiras as "elites" econômicas e também sociais mais perversas do mundo ocidental, com o imaginário e o olhar no passado, a colocar em prática o pensamento de verdadeiros malandros exploradores, mas engravatados, que frequentam o high society e o colunismo social, os salões luxuosos da burguesia tupiniquim de caráter escravocrata ao tempo que colonizada e desprovida de qualquer projeto de desenvolvimento para o País, porque apesar de autoritária e cruel, trata-se de uma burguesia submissa, subserviente e disposta a ficar sempre de joelhos para os interesses das potências estrangeiras e suas corporações transnacionais.

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Além disso, sempre percebi que a violência histórica e o egoísmo cultural da burguesia e pequena burguesia (classe média) remontam à escravidão. Eu quero asseverar, sem dar qualquer margem a erros e equívocos, que a miséria, a pobreza, a falta de acesso a sistemas básicos como saúde, educação, saneamento e infraestrutura, bem como a entrega irresponsável e inconsequente do patrimônio público não são obras do acaso, mas um projeto pensado e efetivado para manter as luxuosas e soberbas condições de vida dos mais ricos ad aeternum.

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Trata-se de grupos dominantes que sequestram o estado nacional e fazem dele uma plataforma onde se realizam estratégias e ações para que seja possível dividir o butim das riquezas da Nação, por meio do brutal aumento de preços e concentração de renda, a negar, inclusive, empregos aos trabalhadores e comida na mesa da maioria da população brasileira, que ora está a enfrentar, talvez, a maior crise moral, econômica, financeira e social de todos os tempos, além da fome, que voltou com força e impiedade nos últimos cinco anos, quando o abjeto Michel Temer tomou de assalto o poder central e transferiu a faixa presidencial para um político incompetente e fascista, que está deliberadamente a desmontar o Brasil e a destruir inapelavelmente a economia.

A verdade é que esses caras (Michel Temer e Jair Bolsonaro), que chegaram ao cargo de presidente da República a partir de um golpe de estado perpetrado, em 2016, não estão de brincadeira e, com requintes de crueldade, retiraram direitos e marcos civilizatórios da população, que foram conquistados em um espaço de tempo de oito décadas, a partir, principalmente, da Revolução de 1930, liderada pelo estadista gaúcho Getúlio Vargas, assim como consolidados por intermédio da Carta Magna de 1988, uma das mais completas e avançadas do mundo, tanto que é também chamada de Constituição Cidadã.

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Por sua vez e até os dias atuais, a Constituição democrática, que estabelece o Estado de Direito causa ódio e rancor à parte da classe média e da casa grande deste País, que possuem o DNA da escravidão. Portanto, chegamos onde eu queria, que é afirmar, ipsis litteris, que toda a demolição e desmonte do Estado Democrático de Direito, da democracia, do acesso à infraestrutura, à saúde, ao emprego, à educação, aos programas de inclusão social e o acesso ao consumo, dentre muitas outras questões e direitos arrancados do povo brasileiro são oriundos do racismo, do preconceito de origem de classe social e de todo tipo de impeditismo.

Essas barreiras "invisíveis" tem por finalidade real inviabilizar a ascensão social, financeira e econômica, não somente do povo brasileiro, mas sobretudo do Brasil como uma (virtual) potência e membro presente na comunidade internacional, mas que é considerado pelos países desenvolvidos apenas uma república de terceiro mundo, realidade esta que favorece a casa grande brasileira, que continuará a manter sua hegemonia por meio do subdesenvolvimento e da pobreza opressivos ao País, porque a intenção é sempre perpetuar seus benefícios, privilégios e enriquecer, geração após geração, às custas da exploração do povo brasileiro.

Tomar o Estado da sociedade para interditar o acesso do povo e suas inúmeras camadas sociais aos bens comuns e públicos relativos à humanidade e seus direitos, sejam eles quais forem, é o principal método de dominação e consequente exploração por parte da burguesia e de sua cúmplice maior e principal braço político, a classe média, que não se faz de rogada para aderir às teses e pensamentos de uma das burguesias mais violentas e atrasadas do mundo, que vende seu peixe podre e mesmo assim convence à parte financeiramente média da sociedade a se jogar do precipício, a pensar estupidamente que cairá em uma imensa rede de proteção, sendo que está agora a se arrebentar no chão, porque seus direitos civis, empregos, salários e acessos a bens de consumo simplesmente desapareceram sob as desumanas administrações de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

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Após 13 anos de governos progressistas e trabalhistas, a direita, para realizar a destruição impiedosa de todos os instrumentos e ferramentas estatais que propiciavam a democratização do acesso da população a uma melhor qualidade de vida, em todos os setores e segmentos, como se verificou por meio de números e índices econômicos e sociais positivos, no decorrer dos governos petistas nos anos de 2003 a 2015, resolveu, como sempre quando toma o poder, impor novamente um modelo neoliberal de entrega dos recursos nacionais a especuladores nacionais e estrangeiros, o que ocasionou fracasso econômico e social retumbante e a desmoralização do Brasil como País independente e soberano.

Enfim, a direita brasileira em suas várias vertentes solapou a democracia e efetivou mais um golpe de estado com o propósito de transformar o Brasil em um País que construía seu poder de negociação e destino em termos de ser influente entre as nações em uma mera republiqueta bananeira, medíocre, atrasada e porta-voz do atraso e do retrocesso, de forma que a vergonha e o desassossego atualmente é implacável e desonra a sociedade brasileira perante a si mesma e a comunidade internacional.

A verdade é que o Brasil não vislumbra as condições políticas e históricas de maneira a propiciar estabilidade democrática e, por conseguinte, evitar golpes de estado futuros, que tem por finalidade estancar a inclusão social e combater os direitos civis dos brasileiros. Toda vez que mandatários trabalhistas e de esquerda eleitos pelo voto soberano da população são alvos de golpes de estado, o retrocesso e o atraso se apresentam como feras a dilacerar as carnes de suas presas, no caso o Brasil e seu povo trabalhador.

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Depois da deposição farsesca e fraudulenta de Dilma Rousseff e da prisão covarde e injusta de Luiz Inácio Lula da Silva, além de o STF por meio de seus juízes terem compreendido em sua maioria que o estado de direito e a democracia do Brasil corriam sérios riscos, evidencia-se por intermédio das eleições presidenciais de 2022 que o Brasil luta para sedimentar os valores pétreos da Constituição de 1988.

A Lei maior que precisa ser validada e revalidada, de forma que os aventureiros, golpistas, capitalistas selvagens, políticos fascistas e seus apoiadores da iniciativa privada e do poder público nunca mais voltem a delinquir como verdadeiros marginais contra a democracia e o estado de direito. Já está mais do que na hora de o Brasil se tornar um País poderoso, solidário, definitivamente democrático e ser um exemplo constitucional e institucional para as nações.

O Brasil necessita de um estado forte, como os estados dos países desenvolvidos, e que atue como o indutor da economia, mas também como regulador e regulamentador, além de mediador de conflitos econômicos e sociais. O Brasil precisa de um estado de bem-estar social e desenvolvimentista. É isso aí.

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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